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Geithner anuncia plano que aposta na parceria público-privada contra crise

César Muñoz Acebes. Washington, 10 fev (EFE).- O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, apresentou hoje um plano de resgate financeiro que mobilizará centenas de milhares de dólares em dinheiro público e privado de forma imediata e poderia alcançar US$ 2 trilhões.

EFE |

O plano contempla a compra de ativos com pouca liquidez, a injeção de capital nos bancos, a ampliação do crédito de forma direta por parte do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e ajudas aos proprietários de imóveis que estão à beira do embargo.

Geithner possui US$ 350 bilhões destinados pelo Congresso para o programa de resgate financeiro no ano passado e, hoje, não pediu mais dinheiro.

No entanto, a Administração sabe que o valor não é suficiente para combater os problemas financeiros, e pretende que seu plano tenha um impacto muito maior nos mercados, com a atração de capital privado e com o emprego de recursos do Fed.

"Em vez de catalisar a recuperação, o sistema financeiro é um freio para a recuperação e a recessão está pressionando os bancos.

Esta é uma dinâmica perigosa que temos que mudar", disse Geithner.

O secretário não conseguiu, no entanto, impressionar os investidores, principalmente pela vagueza de algumas propostas, e, enquanto fazia seu anúncio no Departamento do Tesouro em Nova York, o índice Dow Jones caia 2,4%. Wall Street acabou fechando em baixa de 4,6%.

O plano resgata a ideia original de comprar a dívida de má qualidade dos bancos, que deveria ter sido o propósito do fundo criado pelo Congresso no ano passado a pedido da Administração de George W. Bush.

O Legislativo aprovou o valor de US$ 700 bilhões, mas o Governo Bush usou a primeira metade para comprar ações de bancos e conceder empréstimos às montadoras.

Segundo o plano de Geithner, uma nova entidade público-privada comprará títulos com pouca liquidez no valor de US$ 500 bilhões.

Eventualmente, sua carteira se ampliará até US$ 1 trilhão.

O preço dos ativos é desconhecido, pois atualmente ninguém quer comprá-los.

A participação de investidores pretende resolver o dilema, já que o Tesouro assume que o setor privado, respaldado pelo dinheiro público, fixará um valor justo quando o mercado se restabelecer.

O segundo elemento principal do plano é a ampliação de um programa do Fed para financiar a compra de créditos que, inicialmente, chegaria a US$ 200 bilhões e que, agora, poderá alcançar US$ 1 trilhão.

Além de adquirir empréstimos estudantis, de cartões de crédito e para automóveis, como estava previsto, o Fed também poderá comprar empréstimos hipotecários.

Com isso, pretende passar por cima dos bancos, que são reticentes a emprestar às empresas e consumidores, e fomentar o crédito diretamente. O Governo fornecerá US$ 100 bilhões a este programa.

O plano também mantém as injeções de capital nos bancos, apesar dos protestos de boa parte dos legisladores republicanos e democratas sobre como foram realizadas até agora, pois o Governo desconhece o destino dos recursos usados por essas entidades.

Geithner admitiu que dar "grandes quantidades de dinheiro dos contribuintes às mesmas instituições que originaram a crise, com pouca transparência e supervisão, aumentou a desconfiança pública".

O projeto, que não estipula o teto das compras de ações dos bancos, restringe os dividendos e aquisições, e limita a bonificação aos altos executivos.

Por último, o Governo usará US$ 50 bilhões para ajudar os proprietários a evitar o embargo, como parte de uma intervenção no setor imobiliário cujos detalhes serão anunciados na semana que vem.

O presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara Baixa, o democrata Barney Frank, se queixou hoje de que o valor não é suficiente, e que "algumas semanas" é tempo demais para esperar no meio de uma crise tão grave.

Geithner pediu paciência. "Tentaremos coisas que não foram tentadas. Cometeremos erros", admitiu o secretário, que advertiu de que ficar parado seria muito mais perigoso. EFE cma/db

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