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Gazprom corta fornecimento de gás à Ucrânia, mas aumenta o destinado à Europa

Ignacio Ortega. Moscou, 1 jan (EFE).- A companhia russa Gazprom suspendeu hoje o fornecimento de gás à Ucrânia em um novo episódio da guerra do gás, mas aumentou o fornecimento com destino aos países europeus.

EFE |

"A partir das 10h (5h, horário de Brasília) o fornecimento de gás aos consumidores ucranianos foi reduzido em 110 milhões de metros cúbicos diários, ou seja, em 100%", anunciou Serguei Kupriánov, porta-voz da Gazprom, em entrevista coletiva.

O corte foi confirmado em Kiev pela companhia estatal ucraniana Neftegaz Ukraine, que afirmou que recorrerá a suas reservas de gás para satisfazer as necessidades dos cidadãos durante o inverno.

Ao mesmo tempo, Kupriánov afirmou que a Gazprom tinha aumentado "em 20 milhões de metros cúbicos, para até 326 milhões, o gás que transita por território ucraniano" com destino à Europa Ocidental.

Prevendo possíveis cortes como os que aconteceram durante a crise de 2006, a companhia russa também aumentou em um 25% o fornecimento de gás com destino aos países europeus através da Belarus.

Pela Ucrânia passa 80% do gás natural que a Gazprom vende para a Europa, enquanto o restante transita por solo bielo-russo.

A Gazprom teme que os ucranianos retirem ilegalmente o combustível russo que transita por sua rede de gasodutos, o que afetaria o fornecimento para a Europa.

As negociações entre Gazprom e Neftegaz para a assinatura de novos contratos de fornecimento para 2009 concluíram pouco antes da chegada do novo ano sem resultados, após o que levou o consórcio russo a antecipar que fecharia hoje a chave do gás para seu vizinho.

A Neftegaz rejeitou ontem à noite a oferta da Gazprom de comprar o gás em 2009 a um preço de US$ 250 por mil metros cúbicos, mantendo a tarifa de passagem vigente de US$ 1,7 pelo transporte de cada mil metros cúbicos a uma distância de cem quilômetros.

Além disso, Moscou ameaçou aumentar o preço do gás para a Ucrânia dos atuais U$ 179,5 para até US$ 418 se Kiev não saldasse a totalidade de sua dívida e não assinasse os novos contratos.

A Presidência ucraniana chamou de "excessivo" o novo preço e propôs que se compensasse com o aumento da tarifa de passagem do combustível russo para a Europa acima dos US$ 2.

De Moscou, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, respondeu que o trânsito de gás russo em direção a Europa está referendado por um contrato bilateral vigente até 31 de dezembro de 2010 e que não é suscetível a modificações.

Sobre isto, a secretaria da Presidência ucraniana informou hoje que Kiev apresentou ontem à noite uma contra-oferta - US$ 201 por cada mil metros cúbicos -, mas Kupriánov afirmou que esta tinha chegado quando os representantes da Neftegaz já tinham abandonado Moscou.

De qualquer forma, Kupriánov afirmou hoje que a companhia russa está disposta a "retomar as negociações" e "assinar em qualquer momento um novo contrato" com os ucranianos.

Por outro lado, o porta-voz de Neftegaz, Valentín Zemliánski, afirmou que sua companhia "garante o trânsito ininterrupto do gás russo à Europa, apesar do corte de fornecimento da Gazprom".

Segundo fontes diplomáticas ucranianas citadas pela agência "Interfax-Ucrânia", a Ucrânia pediu à União Européia (UE) que atue como intermediária em sua disputa com o consórcio russo Gazprom, que suspendeu hoje o fornecimento de gás para este país.

O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, enviou uma carta com esta proposta ao chefe da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

A UE respondeu exigindo que se respeitem os compromissos de fornecimento e transporte de gás russo aos países comunitários e não se vejam afetados pelo novo conflito comercial entre Rússia e Ucrânia.

Além disso, a UE reconheceu sua preocupação com esta nova disputa e afirmou que acompanhará de perto a evolução do trânsito do gás por suas fronteiras, segundo uma declaração conjunta da Presidência tcheca comunitária e da Comissão Européia.

"Todos os compromissos existentes sobre fornecimento e transporte devem ser respeitados", declarou o vice-primeiro-ministro tcheco, Aleksandr Vondra. EFE io/fal

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