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O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, afirmou ontem que o governo desistiu de reduzir a importação de gás boliviano por questões técnicas e não políticas. A medida gerou críticas de especialistas, que viram na decisão uma forma de ajuda ao País vizinho às custas do contribuinte.

"Todas as decisões acataram sugestões nossas. Não tem nada de político", afirmou Chipp.

Segundo ele, o ONS decidiu ligar três térmicas para manter a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). A usina de Araucária, no Paraná, Piratininga, em São Paulo, e Canoas, no Rio Grande do Sul, vão consumir uma média de 3,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia. As duas primeiras foram escolhidas porque há problemas nas linhas de transmissão em suas regiões. A terceira, porque houve aumento na demanda gaúcha.

Chipp afirmou que os problemas só foram relatados ao ONS na quinta-feira, após a reunião que decidiu desligar as térmicas, reduzindo as importações para 19 milhões de metros cúbicos por dia.

Na sexta-feira, no entanto, após reunião com os bolivianos, o governo voltou atrás. "Das duas uma, ou o governo não fez as contas corretas ou assumiu uma postura política de apoio à Bolívia", disse o consultor Adriano Pires. Para Pedro Camarota, da Gas Energy, a medida pode provocar prejuízos caso o ONS precise abrir a comporta de hidrelétricas, jogando fora uma energia mais limpa e barata para importar gás.