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Gargalos na produção ameaçam Argentina

Os setores de calçados, têxtil, refino de petróleo, metais e edição e impressão chegam a quase 90% da capacidade instalada na Argentina

AE |

Os setores de calçados, têxtil, refino de petróleo, metais e edição e impressão chegam a quase 90% da capacidade instalada na Argentina. Outros, como papel e papelão, plásticos e borracha, estão operando em torno de 80%. E o restante caminha para atingir o máximo até o fim do ano, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (Indec).

O limite do uso da capacidade na Argentina exige das indústrias investimentos para ampliar a produção em torno de 15% a 20%. Caso contrário, existem riscos de que a demanda seja absorvida por maiores importações ou provoque uma espiral inflacionária. Em ano pré-eleitoral, ambos os problemas são os menos desejados pelo governo. Contudo, os investimentos não aparecem no ritmo necessário para prevenir as duas dificuldades.

O diretor da Abeceb, Dante Sica, afirma que não há grandes projetos de investimentos nos segmentos onde há gargalos (têxteis, calçados e alimentos, por exemplo) e a capacidade precisa ser ampliada em, no mínimo, 15%. A indefinição do quadro político na Argentina, a aversão ao risco e a instabilidade mundial assustam a maioria dos empresários, que prefere manter projetos de expansão suspensos. Eles esperam definições sobre as eleições de outubro de 2011, nas quais Cristina Kirchner ou seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner são candidatos.

¿As eleições podem mudar o poder na Argentina, e isso gera expectativas de regras de jogo mais claras, transparência dos índices econômicos e, especialmente, melhores condições de financiamento para a produção¿, disse uma fonte da União Industrial Argentina (UIA). Porém, segundo a fonte, ¿os planos de investimentos estão saindo do papel e a indústria vai acompanhar o aumento da demanda¿.

Ao mesmo tempo, a indústria tem ¿uma perda de competitividade provocada pela inflação anual em torno de 25%, mais os aumentos salariais médios de 35% e uma taxa de câmbio estável¿. A promessa de investimentos é resultado da pressão do governo para a execução dos projetos engavetados. Em troca, o governo protege os setores mais sensíveis freando as importações com manobras administrativas ou medidas restritivas. Nesse contexto, o Executivo exige que as empresas obedeçam a um plano chamado ¿Compre Nacional¿, que visa à substituição das importações pelo produto local.

Preocupação

A maior preocupação do governo é manter o superávit comercial com o mundo e evitar o aumento do déficit com o Brasil. De janeiro a junho, o déficit com o Brasil chegou a US$ 1,093 bilhão, segundo análise da Abeceb. Daí vem o cerco às importações, que a Casa Rosada nega, mas é denunciado por importadores. Ontem mesmo a União Europeia levou o caso da restrição de alimentos à Organização Mundial de Comércio (OMC).

As importações de produtos brasileiros acumularam 58% no período, enquanto as exportações ao Brasil subiram 34,6%. A balança total, de janeiro a maio de 2010, acumula superávit de US$ 6,157 bilhões. Depois da crise do fim de 2009, quando a indústria argentina trabalhou com 50% da capacidade, o crescimento teve como base a utilização da ociosidade das fábricas. Segundo analistas, o crescimento contínuo da demanda e as boas projeções para 2011 exigem uma decisão dos empresários.

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