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O Brasil terá de dobrar o volume de investimentos em infraestrutura se quiser manter um crescimento sustentável de 5% ao ano na próxima década. Estudo preparado pelo banco americano Morgan Stanley ao qual o Estado teve acesso mostra que, se ficar no nível atual, em pouco tempo o avanço do PIB será barrado pelos gargalos em portos, ferrovias, aeroportos e rodovias.

O Brasil terá de dobrar o volume de investimentos em infraestrutura se quiser manter um crescimento sustentável de 5% ao ano na próxima década. Estudo preparado pelo banco americano Morgan Stanley ao qual o Estado teve acesso mostra que, se ficar no nível atual, em pouco tempo o avanço do PIB será barrado pelos gargalos em portos, ferrovias, aeroportos e rodovias. Além disso, o País não conseguirá receber, de forma eficiente, eventos como Copa do Mundo (2014) e Olimpíada (2016). Nos últimos anos, o volume de investimentos em infraestrutura caiu de 5,4% do PIB, nos anos 70, para 2,1%, na década atual. A redução provocou o sucateamento de vários setores, que começaram a ser pressionados pela demanda mais forte da economia. Um exemplo são as enormes filas nos portos no período de pico da safra de soja. Sem dragagem nos canais marítimos e expansão do acesso terrestre, os terminais portuários ficaram sem capacidade para atender a demanda. "Essa carência de investimentos tem provocado distorções graves para a produção nacional", destaca o diretor do banco, Marcelo Carvalho, responsável pelo estudo de 64 páginas, todas dedicadas à infraestrutura. Segundo ele, a soja produzida em Mato Grosso é altamente competitiva até sair da fazenda. Mas boa parte dessa competitividade se perde no caminho, por causa dos problemas logísticos. Carvalho acredita que o Brasil vai conseguir enfrentar o desafio da infraestrutura e acelerar o volume de investimentos. Os primeiros sinais para esse otimismo estão nos números do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o período entre 2010-2013. A estimativa é que o setor receba R$ 274 bilhões, 37% superior ao volume desembolsado entre 2005 e 2008, mostra o estudo. Alerta. Um fato importante é que boa parte do dinheiro para ampliar os serviços básicos continuará a sair dos cofres da iniciativa privada. Nos últimos dez anos, esses investidores foram responsáveis por 90% do total injetado no País. Portanto, destaca Carvalho, o Brasil precisa preparar o ambiente de negócios para atrair capital, especialmente o estrangeiro. Há muito o que fazer para se igualar a outras nações, alerta. Entre as maiores preocupações está a carga tributária e a burocracia. "Hoje as empresas gastam 2.600 horas por ano para preparar o pagamento de impostos, ante uma média de 224 horas nos demais países." Segundo ele, apesar das inúmeras oportunidades, tudo isso pesa na hora de um investidor decidir pôr seu dinheiro no Brasil. Outro ponto a ser repensado é a questão dos gastos correntes no Brasil. Isso é importante para abrir espaço para o investimento. Hoje, diz ele, o governo federal investe apenas 1% do PIB. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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