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Viña del Mar (Chile), 26 mar (EFE).- O Brasil não cairá na tentação de ressuscitar o protecionismo, afirmou hoje o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Garcia se queixou-se de "dois pesos e duas medidas" aplicados, segundo ele, pelos países desenvolvidos neste assunto e citou o caso dos Estados Unidos, que aplicam uma taxa à importação do etanol brasileiro e não a faz com a de petróleo.

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cortou pela raiz qualquer foco de protecionismo em sua administração, porque considera que é como uma droga que proporciona uma euforia instantânea, mas que, com o tempo se torna prejudicial", afirmou.

No entanto, relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC) criticou, neste mês, medidas que Governo brasileiro que considerou exatamente protecionistas.

Trata-se do aumento da proteção tarifária brasileira de 2004 a 2008 e dos créditos preferenciais à agricultura e ao setor industrial dados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ele também tentou minimizar a polêmica causada pelo comentário de Lula ontem, de que "a crise foi causada as pessoas brancas com olhos azuis", alegando que não se trata de um comentário racista nem excludente, mas de uma metáfora das muitas usadas pelo presidente.

Garcia discursou hoje no seminário "Resposta a uma Crise Global: Rumo a um Futuro Progressista", realizado na cidade chilena de Viña del Mar, a 125 quilômetros de Santiago.

Este seminário é a prévia da cúpula de líderes esquerdistas que reunirá amanhã os presidentes de Brasil, Argentina, Chile e Uruguai e os chefes de Governo de Reino Unido, Espanha e Noruega, além do vice-presidente dos Estados Unidos.

O assessor de Lula destacou que na reunião de Viña del Mar, os presidentes terão a oportunidade de conversar entre eles antes da Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes), que será realizada em 2 de abril em Londres.

Marco Aurélio Garcia disse que esta cúpula não incluir os líderes que praticam modelos de esquerda mais ortodoxos, como o venezuelano Hugo Chávez, o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa, limita seu escopo.

"Há outra formas de 'progressismo' que se reúnem em outras instâncias; em algumas participamos e, em outras, não. O tempo das 'Internacionais' (Socialistas) já passou", afirmou.

García reclamou de que "o conceito de populismo está sendo utilizado na América Latina para desqualificar certas experiências populares", como chama esses governos de esquerda.

O assessor rejeitou que o presidente brasileiro queira monopolizar a liderança regional e especificou que Lula tenha ido falar com Barack Obama porque o presidente dos Estados Unidos o convidou.

"As pretensões de liderança não ajudariam o processo de integração latino-americano", disse Garcia, acrescentando que a América Latina espera de Washington "uma política não de intervenção, mas de cooperação".

Segundo ele, "seria de extrema importância um gesto por parte dos Estados Unidos da suspensão do bloqueio a Cuba, uma medida apoiada por todos os Governos da região, de esquerda e de direita".

"Isso não significa que os países estejam de acordo com o regime cubano, mas eliminar uma decisão política que corresponde à Guerra Fria", acrescentou, sem se posicionar, no entanto, sobre qual seria a posição brasileira sobre uma possível abertura política na ilha.

Por fim, Garcia comentou que Lula aproveitará sua passagem por Viña del Mar para obter apoios para a candidatura do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos em 2016. EFE mf/jp

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