RIO - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou que a companhia não terá problema para financiar seus projetos em 2009 e 2010, período em que a crise internacional deve afetar mais fortemente a economia global, com efeitos sobre o preço do barril do petróleo. O executivo, que apresentou o plano de investimento da estatal para empresários reunidos na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), revelou que a expectativa da companhia para geração de caixa este ano é de US$ 10 bilhões. O valor leva em consideração uma expectativa de preço médio do barril de petróleo de US$ 37 ao longo do ano.

Caso confirmado o cenário, a empresa terá uma necessidade de financiamento de US$ 18,1 bilhões, dos quais US$ 12,5 bilhões já estão garantidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros US$ 2,5 bilhões virão de pré-financiados no ano passado. Dos US$ 5 bilhões restantes, US$ 1,5 bilhão já foram, segundo Gabrielli, conseguidos em captação concluída hoje com um pool de bancos.

"Já estamos financiados para 2009, o que não quer dizer que não vamos ao mercado de capitais se tivermos oportunidade", frisou o executivo.

Para 2010, a Petrobras estipula um preço médio do barril de US$ 40, o que significa um geração de caixa de US$ 16 bilhões. Gabrielli não quis detalhar o investimento específico projetado pela empresa para 2010, mas ressaltou que, levando-se em conta o valor dado para o qüinqüênio 2009-2013, a média anual é de US$ 35 bilhões.

Neste sentido, o presidente da empresa frisou que a necessidade de financiamento da companhia para 2010 ficará em US$ 18,9 bilhões, dos quais US$ 10 bilhões virão do BNDES. A expectativa é de que até lá a companhia já tenha obtido sucesso na determinação de reduzir os custos dos projetos. De acordo com Gabrielli, uma redução de 15% nesses custos derrubará a necessidade de financiamento - além dos recursos que virão do BNDES - para US$ 4 bilhões, uma quantia considerada pelo executivo simples de ser captada.

Gabrielli rebateu a possibilidade de vender participação em blocos exploratórios como forma de conseguir recursos para aplicar em parte dos projetos. "Por que vender algo que vai nos dar uma rentabilidade muito grande se a gente pode captar no mercado de capitais?", questionou, ressaltando que no ano passado a companhia investiu R$ 53,4 bilhões, 18% a mais que os R$ 45,3 bilhões investidos em 2007.

O presidente da estatal revelou que a capacidade da refinaria de Abreu Lima, que está sendo construída em Pernambuco, será de 230 mil barris por dia e não mais os 200 mil barris anunciados anteriormente. Gabrielli afirmou que o objetivo é fazer a sociedade com a venezuelana PDVSA, que forneceria 100 mil barris diários para processamento.

"As negociações continuam, queremos fazer a refinaria com eles, mas não vamos ficar esperando a definição", disse Gabrielli, evitando dar um prazo para a conclusão das negociações entre as companhias. "Neste tipo de negociação nunca tem a última reunião".

(Rafael Rosas | Valor Online)

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