RIO - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou que a capitalização da empresa é essencial para permitir a implementação do Plano de Negócios da companhia entre 2010 e 2014, que ainda está em fase de finalização, mas já prevê investimentos entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões no período. A capitalização em 2010 é absolutamente fundamental. Precisamos da capitalização da Petrobras para viabilizar esse volume de investimentos, incluindo o ano de 2010.

Isso significa, portanto, que ela é fundamental para garantir aquelas limitações que o Conselho nos coloca", frisou Gabrielli, que participou hoje de teleconferência com analistas. "Estamos avaliando que não pode deixar de ter capitalização em 2010. Se o Congresso não aprovar, vamos ter que ter alguma outra alternativa de capitalização", acrescentou.

O executivo lembrou que o Conselho de Administração da companhia determinou, na reunião de sexta-feira, que a alavancagem líquida da empresa deve oscilar entre 25% e 35%. Em um exercício apresentado aos analistas, Gabrielli acredita em um aporte por parte dos acionistas minoritários não controladores entre US$ 15 bilhões e US$ 25 bilhões no processo de capitalização, o que levaria a alavancagem líquida a variar entre 32% e 27% e a uma relação dívida líquida/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) entre 2,2 vezes e 1,6 vezes, sempre de acordo com o volume de recursos aportados pelos minoritários.

A estatal trabalha com a possibilidade de a capitalização ocorrer ainda no primeiro semestre. Gabrielli lembrou que o cronograma depende da aprovação do Senado, mas ressaltou que, segundo as regras de tramitação em urgência, a votação na casa deve ocorrer até 6 de maio, com a volta para Câmara para uma nova votação em 4 de junho.

"Evidentemente que esses prazos são regulamentares, mas não necessariamente são prazos que serão efetivamente cumpridos, em se tratando da lógica do processo político, que está fora do nosso controle e da nossa capacidade de gestão", acrescentou Gabrielli.

De acordo com ele, a companhia tomará medidas societárias - como tratativas com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Securities and Exchange Commission (SEC) - de forma a acelerar o processo e preparar a companhia para realizar a capitalização no prazo mais curto possível assim que houver a sanção presidencial da nova lei. Gabrielli afirmou acreditar que os quatro projetos enviados ao Congresso serão aprovados até 6 de junho, mas admitiu que, caso a capitalização e a cessão onerosa sejam aprovadas antes, não haverá empecilhos ao processo.

"Se tiver definido a capitalização, com a cessão onerosa, teremos que fazer avaliação de fazer a capitalização sem ter claro o regime de partilha. Mas como temos um portfólio, independentemente do regime de partilha, extremamente robusto, é uma hipótese. Mas neste momento trabalhamos com a hipótese de que o governo trabalha com a urgência constitucional para aprovar os quatro projetos", disse, lembrando que o plano de negócios não considera os investimentos para produção dos 5 bilhões de barris que serão incluídos na cessão onerosa.

(Rafael Rosas | Valor)

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