BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem, durante entrevista à rede de televisão americana CNN, duras críticas ao G-8, grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia, qualificando-o de uma coisa meio defeituosa . Lula afirmou que há emergentes com muito mais importância que os integrantes do G-8 e defendeu que o G-20 seja ampliado e passe a tratar não apenas de assuntos econômicos, mas também de questões climáticas e políticas.

" Porque [o G-20] é muito mais representativo, heterogêneo, e representa com muito mais fidelidade a geografia política e econômica do mundo de hoje " , disse o presidente, que no próximo dia 2 participará da reunião de cúpula do G-20, em Londres. Na entrevista ao jornalista Fareed Zakaria, Lula defendeu também a ampliação da influência dos emergentes no Conselho de Segurança da ONU e em organizações multilaterais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, controladas, segundo ele, por europeus e americanos.

" Nós queremos ter mais incidência nas decisões políticas do mundo " , declarou Lula, segundo a íntegra da entrevista obtida pelo Valor - a CNN levou ao ar uma versão editada de 30 minutos, com intervalos comerciais. Na gravação, Lula criticou parceiros do Brasil que se recusam a apoiar a reforma do Conselho de Segurança. " Tem divergência da Itália, que não quer que a Alemanha participe; tem divergência da China, que não quer o Japão. Mas eu acho isso tudo uma bobagem. "
Lula passou grande parte da entrevista elogiando o presidente dos EUA, Barack Obama, e lhe fazendo recomendações. Disse, por exemplo, " que ele não tem que se preocupar tanto com a Guerra do Iraque " . Sugeriu que os EUA sejam mais " otimistas " em relação à América Latina e que desempenhem um novo papel, mas " não aquele de ingerência política " . Recomendou que Obama " leia com atenção " sobre a crise japonesa dos anos 90 e que se aproxime da Venezuela de Hugo Chávez. Por fim, qualificou de " absurdo " o bloqueio americano a Cuba.

À vontade na entrevista, depois de ser apresentado por Zakaria como " um dos mais populares presidentes do mundo " , o presidente disse que a crise econômica mundial é " uma boa provocação " , algo que está lhe dando ânimo e disposição para brigar. " Quanto mais crise, mais política social; quanto mais crise, mais investimento do Estado " , celebrou.

(Cristiano Romero | Valor Econômico)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.