Os líderes do G8 reclamaram nesta terça-feira esforços para frear a disparada de preços do petróleo, depois de advertir que a elevação desenfreada do custo do combustível e dos alimentos cria um sério desafio para o crescimento econômico mundial.

"Os preços recordes do petróleo e dos alimentos supõem um sério desafio à estabilidade do crescimento mundial e aumentam a presssão inflacionária no mundo", concluíram os lídere dos Oito Países Mais Ricos do Mundo, reunidos em Toyako.

Os líderes disseram que tomarão as medidas apropriadas de maneira individual e coletiva para assegurar o crescimento e a estabilidade das economias nacionais e a nível mundial.

Os crescentes preços dos alimentos levarão cerca de cem milhões de pessoas pasra baixo do limite da pobreza, segundo calcula o Banco Mundial, e desataram protestos, alguns violentos, em partes do mundo em desenvolvimento.

"É imperativo eliminar as restrições à exportação que prejudicam as compras humanitárias de comida", afirma o grupo, em refereência ao fato de que vários países restringiram suas exportações de alimentos para assegurar a subsistência de suas próprias populações.

"Também pedimos aos países com reservas suficientes de alimentos que as liberem como parte de seu superávit para países que precisam, em uma época de preços significativamente elevados, de maneira que não distorça o comércio", acrescentaram.

O Japão já liberou parte de seus estoques para países que sofrem escassez.

Num momento em que o barril de petróleo é cotado a 142 dólares, mais do dobro de há um ano, ou supera picos de 146 dólares, o G8 também pediu aos países produtores que aumente a curto prazo a capacidade de produção e refinamento, assim como invistam mais na exploração.

Os líderes do Brasil, México, China, Índia e África do Sul, que formam o G5, se reuniram nesta terça em Sapporo, a 150 km de Toyako, e pediram a seus colegas do G8 - com quem se reunirão na quarta para discutir a luta contra a mudança climática - que intervenham para frear a crise alimentar.

"É necessária a intervenção da comunidade internacional para desenvolver com urgência mecanismos úteis para fazer frente à alta dos preços", afirmou o presidente do México, Felipe Calderón.

Os especialistas atribuem a disparada dos preços dos alimentos a vários fatores, entre eles aos biocombustíveis.

"Os fatos são claros: as políticas de biocombustíveis do G8 são 75% do problema, mas o líderes mal mencionam isso e continuam queimando comida em seus carros", denunciou Jeremy Hobbs, diretor executivo da ONG Oxfam International.

O Brasil, segundo produtor mundial de etanol a partir da cana-de-açúcar, nega taxativamente que sua produção influencie a disparada dos preços dos alimentos.

lbc/app/cn

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.