Países do G-20 se comprometeram com a meta de reduzir seus déficits pela metade até 2013 e por seu endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em trajetória descendente até 2016

Países do G-20 se comprometeram com a meta de reduzir seus déficits pela metade até 2013 e por seu endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em trajetória descendente até 2016. O compromisso faz parte do comunicado de 27 páginas divulgado pelo G-20 ontem, após 30 horas de negociação e muita divergência. O grupo reúne os países mais ricos do mundo e os principais emergentes.

Para observadores, a posição da Europa prevaleceu ao fixar metas concretas de redução de déficits, a que os Estados Unidos se opunham. Mas, para chegar a um acordo, os países tiveram de incluir no comunicado que a redução deve ser ¿amigável ao crescimento¿, reivindicação de nações como o Brasil.

O governo brasileiro, que se alinhou aos EUA, não considera que sua visão tenha saído derrotada. Segundo fonte próxima às negociações, as reduções de gastos e a retirada de estímulos não se darão no curto prazo, em 2010 e 2011, então não devem afetar a recuperação. Além disso, a meta de ajuste fiscal se restringe às economias avançadas e cada uma vai adotar receita própria.

No sábado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia dito que a meta de reduzir os déficits à metade até 2013 era ¿draconiana¿ e ¿exagerada¿. Disse ainda que a Europa não pode ¿fazer ajuste fiscal à custa do Brasil¿ e de outros emergentes, reduzindo a demanda doméstica e aumentando exportações.

A meta de redução dos déficits foi ideia do país anfitrião, o Canadá. Em entrevista, o presidente Barack Obama foi questionado se o comprometimento de cortar déficits não é um repúdio à opinião dos EUA. ¿Nós já havíamos proposto cortar nosso déficit pela metade¿, afirmou. ¿Mas eu disse que nem todos poderiam correr pela saída ao mesmo tempo - países com superávit não podem fazer isso¿, disse Obama, num claro recado para a Alemanha. ¿Já a Grécia precisa agir imediatamente.¿

O comunicado deixa a cargo de cada país calibrar seus ajustes fiscais. Isso levou à crítica de que a unidade conseguida em outras cúpulas, que levou a coordenação de políticas que ajudaram a tirar o mundo da crise financeira, não ocorreu em Toronto. ¿Quando a casa está pegando fogo, todo mundo concorda em entrar e apagar o incêndio¿, disse um negociador. ¿Quando se trata de reconstruir a casa, cada um prefere fazer de um jeito, é difícil dar resposta em uníssono.¿

Segundo o Financial Times, as nações do G-20 concordaram em discordar. ¿As nações estão se concentrando em suas próprias economias e ignorando o bem-estar global¿, cita o texto.

Países emergentes ficaram fora do foco, pois a maioria dos problemas atualmente vem das nações avançadas. Os países mantiveram a decisão de concluir, até a cúpula de Seul, na Coreia do Sul, em novembro, a reforma de cotas do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma reivindicação brasileira.

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