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G-20 quer que países reforcem caixa do FMI se preciso

O G-20, grupo das 20 maiores economias do mundo, divulgou um comunicado com as conclusões do encontro de dois dias, realizado neste fim da semana, na capital paulista. No documento de cinco páginas, os países do grupo defendem a necessidade de reforma das instituições criadas em Bretton Woods e, pela primeira vez, citam a possibilidade de injeção de mais recursos em instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Agência Estado |

No texto, os países afirmam que é necessário atentar para o uso adequado dos recursos dessas instituições, e observam que é preciso estar preparado para aumentar a capacidade de funding das mesmas quando necessário. O comunicado afirma, nesse contexto, ser bem-vindo o uso de recursos do FMI para promover a ajuda emergencial às nações necessitadas, como também a criação de novos mecanismos para ampliar a liquidez no curto prazo. O documento também cita o reconhecimento do G-20 de que o Financial Stability Forum deve ser estendido para ter a participação dos países emergentes.

O comunicado também observa que a queda dos preços das commodities internacionais tem diminuído a pressão inflacionária, em especial nos países desenvolvidos. Isso, segundo o texto, permite que alguns bancos centrais adotem uma política monetária mais expansiva. Por outro lado, a depreciação cambial tem gerado pressões que podem ser mais persistentes nos países emergentes. Nesse caso, o documento comenta a necessidade de que as autoridades monetárias destas nações permaneçam cuidadosas com a questão.

O documento do G-20 está em linha com as propostas que serão apresentadas pelo governo brasileiro na reunião dos chefes de Estado dos mesmos países no próximo dia 15 de novembro, em Washington, bem como com os discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, feitos durante o encontro do G-20.

Os representantes das 20 maiores economias também afirmam no comunicado estarem determinados a adotar todos os passos necessários para que haja um crescimento não inflacionário, mantendo a estabilidade e a sustentabilidade de acordo com as necessidades e instrumentos disponíveis nos respectivos países, incluindo política fiscal e monetária. "Reconhecemos a necessidade de apoiar os esforços das economias emergentes, em especial ajudá-las a encontrar recursos adicionais para o seu desenvolvimento", dizem os países do G-20 no comunicado. Eles aproveitaram para convocar todos os países a resistirem a adotar medidas protecionistas, e reiteraram o apoio à conclusão das negociações na rodada Doha.

No documento, foi salientado que um dos aspectos mais deletérios da crise atual é o congelamento do crédito privado e do mercado de equity, e a tendência da volta do fluxo de capital para o local onde a crise foi originada. "Exploramos caminhos para restabelecer o acesso dos países emergentes e em desenvolvimento ao crédito e ao fluxo de caixa", diz o texto. O documento ressalta que as políticas fiscais têm sido um instrumento importante para minimizar a atual crise financeira.

Os países do G-20 consideraram ser essencial que os recentes ganhos na redução da pobreza e da desigualdade social não sejam afetados pela crise financeira e pelo desaquecimento da economia global. Eles reconheceram que muitos países podem ser afetados pela volatilidade dos preços das commodities e pela mudança no sentimento dos investidores. Por isso, concordam com a importância da manutenção de fluxos oficiais para esses países.

Ao mesmo tempo, ressaltam a necessidade de que todos os bancos de desenvolvimento trabalhem para sustentar os investimentos de infra-estrutura para o desenvolvimento dos países pobres. Para os membros do G-20, o desafio-chave é resolver a crise financeira de maneira durável e mitigar os impactos na atividade econômica global através de medidas compreensivas, coordenadas e oportunas. "As medidas devem ser desenhadas não apenas para restaurar o crescimento e a estabilidade financeira, mas também para minimizar os impactos sociais negativos, particularmente nos países emergentes e nas nações mais pobres."

Para o G-20, a conjuntura adversa na economia mundial foi provocada, em grande parte, pelo "excesso de risco e falhas nas práticas de gestão de risco nos mercados financeiros, por políticas macroeconômicas inconsistentes, que causaram desequilíbrios domésticos e externos, assim como deficiências na regulação e supervisão dos sistemas financeiros em alguns países avançados". No comunicado, as nações reforçaram a disposição de tomar as medidas necessárias para reduzir a volatilidade do mercado financeiro global e restaurar o funcionamento do mercado de crédito nos países emergentes e avançados.

A preocupação em normalizar o funcionamento dos mercados financeiros decorre da repercussão que a atual crise internacional tem na economia real. Segundo o G-20, alguns países avançados, onde a crise teve origem, já dão sinais de recessão ou já enfrentam retração na atividade econômica. Paralelamente, o comunicado do grupo também informa que já há sinais de crescimento mais lento nas economias emergentes, que hoje possuem um peso importante na expansão da economia global. "Nós reconhecemos que a falta pronunciada de confiança conduziu a um severo confinamento do crédito, o que afetou o consumo, os investimentos e o emprego", afirmaram as nações do G-20 no documento.

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