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G20 lança plano para reformar sistema financeiro

Os dirigentes dos países industrializados e emergentes do G20 adotaram neste sábado em Washington um plano de ação, uma lista de medidas de alta prioridade que devem ser colocadas em prática antes de 31 de março de 2009 para restabelecer a confiança no sistema financeiro.

Redação com agências |

 

Na declaração final, os líderes se comprometeram a realizar uma reforma dos mercados financeiros por maior transparência e regulação, e que promova uma maior integridade no sistema.

Eles também deverão atuar em várias frentes, como a limitação dos aspectos da regulação dos mercados que colaboram para a crise, a avaliação e modificação das normas contábeis a nível mundial, a melhora da transparência dos mercados derivados e das práticas de compensação e a avaliação das necessidades de recursos das instituições financeiras internacionais.

Os ministros e chefes de Estado também devem elaborar, dentro do mesmo prazo, uma lista das instituições financeiras cuja eventual quebra representa um risco para o sistema financeiro mundial.

Encerrada a reunião, o presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou que os líderes mundiais do G20 concordaram em realizar reformas nas duas principais instituições monetárias mundiais: Banco Mundial (Bird) e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Isso significa aumentar a representação dos países em desenvolvimento nas duas instituições, segundo o comunicado divulgado após o fim da cúpula, em Washington.

"Estamos decididos a fazer avançar a reforma das instituições de Bretton Woods [reunião onde esses dois órgãos foram fundados], de forma a refletir melhor a evolução dos respectivos pesos econômicos na economia mundial para aumentar sua legitimidade e eficácia", destaca o texto.

"Nesse sentido, as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo os países mais pobres, devem ter sua voz mais ouvida e ser melhor representados", afirma o comunicado oficial.

AFP
Bush recebe Lula na reunião do G20 em Washington

Bush recebe Lula na reunião do G20 em Washington

Comércio mundial

Os líderes do G20 também pediram um acordo para retomar as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a liberalização do comércio mundial antes do fim de 2008, segundo o comunicado oficial divulgado ao término do encontro.

"Destacamos a importância de rejeitar o protecionismo e de não nos voltarmos para dentro numa época de incerteza financeira", indica o texto.

"Em relação a isso, nos próximos 12 meses nos absteremos de levantar novos obstáculos contra o investimento e o comércio de bens e serviços, de impor novas restrições às exportações e de implementar medidas incoerentes com a OMC para estimular as exportações", afirmam os líderes.

"Além disso, lutaremos para alcançar um acordo ainda este ano sobre temas que levem à bem-sucedida conclusão da Agenda de Doha da OMC, com um resultado ambicioso e equilibrado", acrescenta o comunicado.

Bush e a crise

Bush comemorou como um sucesso a cúpula econômica global, afirmando que os líderes chegaram a um acordo para buscar políticas pró-crescimento, mas insistiu que há mais trabalho a ser feito para combater a crise financeira.

"Houve um entendimento comum entre todos nós de que devemos adotar políticas pró-crescimento econômico", disse Bush a jornalistas depois do encerramento da cúpula em Washington. "Faz sentido que saiamos daqui com um firme plano de ação, o que nós temos, e também faz sentido dizer às pessoas que há mais trabalho para ser feito e que haverá mais encontros", acrescentou.

Lula e a ganância

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a "crise é fruto da ganância de irresponsáveis especuladores". Para platéia composta por lideranças de países industrializados e em desenvolvimento, além de organismos multilaterais, o presidente brasileiro disse que "sobraram conselhos, de supostos especialistas, para os países pobres e em desenvolvimento, mas faltaram esses mesmos conselhos para os países ricos".

No Brasil, continuou Lula, "não vamos abdicar de nosso Plano de Aceleração do Crescimento que envolve US$ 250 bilhões de investimentos até 2010". O presidente brasileiro afirmou que "a desaceleração econômica está se transformando perigosamente em recessão econômica" e citou o esforço para estabilização econômica implementada pelos países emergentes em razão de uma crise que eles não criaram. A grave crise, acrescentou "atinge não só a esfera financeira, como começa a afetar seriamente os setores produtivos".

O presidente destacou a necessidade de buscar "soluções duradouras" para a crise, apontando que a solução dos problemas deve vir por "meio da ações coletivas". "É essencial a reativação dos setores produtivos". "Nossa receita contra a crise é expandir nosso mercado interno. Precisamos de mais produção, mais emprego, mais inclusão social".

Na platéia, estavam o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

"Precisamos mudar a forma pela qual a economia global é governada pelas atuais instituições multilaterais", acrescentou o presidente brasileiro. "Tanto o FMI como o Banco Mundial devem se abrir para uma maior participação das economias em desenvolvimento". "A crise representa ameaças concretas à vida de milhões de homens e mulheres", citou Lula no discurso.

Segundo o presidente, as respostas que precisam ser dadas pelos países necessitam de "urgência" para impedir "que o pânico que afeta os mercados acabe por agravar mais ainda a crise, tornando-a irreversível".

Novo encontro

Os líderes do G20 vão se reunir novamente antes do dia 30 de abril de 2009, "com o objetivo de verificar a execução dos princípios e decisões" adotados neste sábado, segundo o comunicado divulgado ao término de sua primeira cúpula, em Washington.

Reuters
Encontro de líderes do G20
Encontro de líderes do G20

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs que o próximo encontro do grupo aconteça em Londres, já que a Grã-Bretanha deve ser o próximo país a assumir a presidência rotativa do G20, atualmente exercida pelo Brasil.

Protestos

Uma centena de manifestantes realizou neste sábado um cortejo fúnebre em Washington para declarar "morto" o capitalismo e pedir que a cúpula do G20 estimule a criação de empregos e melhore a cobertura do sistema de saúde.

Acompanhados de vários músicos, os manifestantes criticaram o que consideram como o "grande prejuízo" do sistema capitalista, que permite a "avareza corporativa" em detrimento dos países pobres.

"Um funeral para o capitalismo. Finalmente morreu!", dizia um cartaz, adornado com duas caveiras nos dois lados.

"O capitalismo está sendo salvo para quem? Para os ricos e poderosos", dizia outro cartaz.

Alguns manifestantes gritavam palavras de ordem ou carregavam cartazes com mensagens como "Necessidade humana, não a avareza corporativa", "Resistência contra o império americano" e "Parem a avareza corporativa, Trabalhos com Justiça!".

O "desfile fúnebre", liderado por duas mulheres com o emblemático chapéu do Tio Sam, partiu de um parque próximo à sede do Fundo Monetário Internacional (FMI) e seguiu por seis quadras até uma igreja luterana, onde realizarão um "fórum popular".

"Nossa mensagem é que o sistema econômico necessita de uma mudança fundamental. O fundamentalismo do livre mercado prejudicou as famílias dos trabalhadores durante décadas", disse à agência Efe Ruth Castel Branco, do grupo Trabalhos com Justiça.

O presidente dos EUA, George W. Bush, "pressionou por maior falta de regulamentação (do setor financeiro) e suas políticas provocaram a perda de milhares de empregos", acrescentou a ativista.

Castel Branco afirmou que os trabalhadores foram os mais atingidos pela crise econômica, "mas só prestam atenção quando Wall Street vem abaixo".

Acrescentou que com a chamada "Cúpula do Povo", organizada por cerca de 20 grupos progressistas, os ativistas pedem que o Governo dos EUA e os participantes da Cúpula do G20 fomentem a criação de empregos, melhor cobertura médica e "empregos verdes", compatíveis com o meio ambiente.

Algumas de suas metas são afins à agenda legislativa do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, e, segundo a ativista, "a sociedade civil continuará pressionando pelo avanço desses temas".

"Obama não poderá fazer tudo sozinho, precisará do Congresso, mas estaremos ali para continuar pressionado", destacou.

(Com agências Efe, AFP, Reuters e Agência Estado)

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