Os ministros dos G-20 tentaram diluir a falta de consenso para as prioridades do combate à crise global com a seguinte frase: Estamos preparados para tomar qualquer ação que seja necessária até que o crescimento seja restaurado. Ao trazer esse compromisso, o comunicado divulgado ao final do encontro dá espaço tanto a medidas para restaurar o crédito, limpar o sistema financeiro e regular os mercados, como mais estímulo fiscal e desaperto monetário.

Também foi feito um compromisso contra todas as formas de protecionismo, para que o livre comércio seja mantido.

O documento deixa em aberto questões como o tamanho dos pacotes econômicos necessários ou o montante de recursos adicionais que deve ser colocado no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Logo depois do encontro, encerrado hoje nos arredores de Londres, as autoridades deram declarações de que o compromisso de combate é firme, já que a crise se espalhou por todo o planeta e hoje não existe nenhum país imune.

"Ninguém duvida que esse é o maior desafio do mundo em gerações", disse o ministro de Finanças do Reino Unido, Alistair Darling. "Nosso compromisso de hoje é um grande passo para restaurar a confiança."

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Tim Geithner, avalia que os países conseguiram criar uma "base forte" para o encontro do grupo, marcado para 2 de abril, em Londres. "É um compromisso para nos movermos juntos, fazer o que for necessário e começar a reforma do sistema financeiro."

Divergências - Existe hoje uma diferença de prioridades entre os países. Enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido querem mais estímulos globais às economias, a União Europeia avalia que muitos recursos já foram injetados e o foco agora deve ser a regulação do sistema financeiro.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou maior afinidade com a visão norte-americana. Mesmo reforçando a importância de mercados bem regulados, o ministro destacou que é preciso fazer mais para estimular as economias e disse que os pacotes fiscais são mais urgentes no momento.

Nesse sentido, o G-20 definiu que o FMI será encarregado de avaliar as medidas de estímulo já tomadas para verificar o que ainda precisa ser feito. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e a premier da Alemanha, Angela Merkel, também se pronunciaram conjuntamente hoje. Brown deu declarações de apoio à reforma do sistema financeiro, de forma a amenizar a divisão criada nos últimos dias.

Na área regulatória, o G-20 definiu a criação de princípios básicos comuns, que podem ser adotados voluntariamente pelos países. "Nossa prioridade é restaurar o crédito", diz o comunicado. Para isso, o grupo acredita que é preciso resolver os problemas do sistema financeiro, por meio do fornecimento de liquidez, recapitalização dos bancos e solução para os ativos tóxicos.

"A expansão fiscal está fornecendo suporte vital para o crescimento e os empregos", diz o comunicado. "Agir juntos fortalece o impacto e as ações políticas excepcionais anunciadas até agora devem ser implementadas sem atraso."

Segundo Darling, diversos países já colocaram muito dinheiro nas economias e agora "cada um deve decidir o que é melhor". O grupo também definiu que os países devem manter políticas monetárias expansionistas pelo tempo necessário, usando não só a redução de juros como instrumentos menos convencionais.

A necessidade de ação conjunta foi novamente reforçada pelas autoridades. "Nossa recuperação será mais forte se o mundo estiver mais forte", disse Geithner, reconhecendo também a necessidade de reforma do sistema financeiro e da regulação. "A estratégia do G-20 é a da ação."

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