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G-20 discute em São Paulo alternativas para a crise financeira

SÃO PAULO - Neste fim de semana, ministros de Economia e presidentes de bancos centrais das grandes economias desenvolvidas e emergentes debaterão alternativas para a crise financeira internacional. A reunião anual do chamado G-20 financeiro ocorrerá em São Paulo, já que o Brasil ocupa a presidência rotativa do grupo.

Valor Online |

Hoje, representantes do Brasil, da Índia, China, África do Sul, do México e da Rússia - seis potências emergentes - passam o dia reunidos na capital paulista, fechando posições para o encontro. Os cinco primeiros compõem o grupo conhecido como G-5 e participam anualmente como convidados das reuniões do G-8 - grupo das sete economias mais industrializadas do planeta mais a Rússia.

O G-20 se reúne todos os anos desde 1999. Este ano, diante da conjuntura internacional, o foco não poderia ser outro que não a crise financeira. De acordo com o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Galvão, ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais analisarão as causas da crise, seus reflexos na inflação, nos preços das commodities e nas oscilações cambiais e medidas adotadas para minimizar os impactos.

A reunião de São Paulo vai preparar o diálogo para a primeira cúpula de chefes de Estado do G-20 financeiro, convocada pelo presidente norte-americano, George W. Bush, para o dia 15 deste mês, em Washington. Além disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aproveitará a presença do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, e do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, para pedir maior participação dos países emergentes nas decisões de organismos financeiros multilaterais.

O G-20 foi criado em 1999, na busca de respostas articuladas para a crise do final dos anos 90, que começou na Ásia e acabou atingindo o mundo todo. A idéia era estabelecer um grupo mais representativo de países para tratar fundamentalmente de estabilidade financeira e políticas para evitar novas crises. Com o passar dos anos, o grupo ampliou sua agenda.

Na presidência rotativa, o Brasil propôs três temas para 2008: Competição nos Mercados Financeiros, Energia Limpa e Desenvolvimento Econômico e Elementos Fiscais de Crescimento e Desenvolvimento. Os assuntos foram debatidos em seminários realizados em fevereiro na Indonésia, em maio em Londres e em junho em Buenos Aires.

A explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos e seu efeito dominó sobre o mercado financeiro internacional acabaram mudando o foco dos debates da reunião anual. A urgência do tema levou o ministro Guido Mantega a convocar, pela primeira vez desde a criação do grupo, uma reunião extraordinária em nível ministerial, realizada no dia 11 de outubro, em Washington, à margem da reunião anual do FMI e do Banco Mundial. No comunicado final, o grupo comprometeu-se a " utilizar todos os instrumentos econômicos e financeiros para assegurar a estabilidade e o bom funcionamento dos mercados financeiros".

Participam do G-20 ministros da Economia e presidentes de bancos centrais de 19 países: os oito países do G-8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) mais África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia. A União Européia também integra o grupo, representada pela presidência rotativa do Conselho Europeu e pelo Banco Central Europeu. Juntos, os países membros representam cerca de 90% do produto nacional bruto mundial, 80% do comércio internacional e cerca de dois terços da população do planeta.

(Agência Brasil)

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