Marta Hurtado Genebra, 30 jul (EFE).- Os países da Organização Mundial do Comércio (OMC) deixaram hoje Genebra com um novo fracasso nas costas e sem ter decidido em que ponto estão as negociações da Rodada de Doha, quando serão retomadas e sobre quais bases.

"O progresso que fizemos deveria ser preservado", afirmou hoje o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, no último encontro formal com os 153 membros da instituição antes das férias do verão (hemisfério norte).

Lamy se referia ao "pacote" de temas que foi negociado e pactuado "durante milhares de horas de conversa" e que ficou em suspenso após fracassar, na terça-feira à noite, a sétima tentativa de relançar a Rodada de Doha.

Durante sete dias, 30 ministros de Comércio se reuniram em Genebra para tentar desbloquear a rodada e conseguir estabelecer a redução dos subsídios agrícolas e o corte de tarifas aos produtos agrários e industriais.

Segundo a avaliação de Lamy, em 85% dos temas que deveriam ser negociados foi alcançado um consenso, por isso, para ele, "esse trabalho não deveria ser desperdiçado".

O problema é como fazê-lo, já que o mandato de Doha estabelece o chamado "single undertaking" (compromisso único), que significa que "nada está estipulado até que tudo esteja estipulado".

No entanto, alguns membros expressaram sugestões sobre como tentar preservar o que já está pactuado.

Entre eles, os Estados Unidos. A representante comercial do país, Susan Schwab, sugeriu estabelecer um método pelo qual os temas nos quais haja total consenso sejam retirados da negociação, "fechados" e se dêem por concluídos.

Schwab mencionou alguns temas aos quais o método poderia ser aplicado, como a facilitação do comércio, dos serviços e dos bens ambientais.

Este sistema sugerido pelos EUA já foi aplicado anteriormente, quando, na conferência ministerial de Hong Kong, de dezembro de 2005, os países ricos concordaram em acabar com os subsídios à exportação até 2013.

Por sua parte, Índia e o grupo africano sugeriram aplicar um sistema similar e incluir o assunto do algodão.

No entanto, este tema espinhoso nem chegou a ser discutido nos nove intensos dias nos quais os ministros estiveram reunidos, por isso, caso seja aplicado, deveria se abrir primeiro uma nova sessão de negociações e, depois, debater a questão.

A Venezuela foi uma das nações que, abertamente, se opôs à possibilidade de manter o já estipulado.

O país alega que não se pode levar em conta "por não ter contado com a participação e aprovação de todos os membros, nem por refletir integralmente os interesses dos países em desenvolvimento", segundo afirmou o ministro da Indústria e Comércio venezuelano, Willian Antonio Contreras.

Sobre uma nova sessão de negociações, alguns membros expressaram o desejo de que as conversas sejam retomadas diretamente em setembro, o que não recebeu muitas adesões.

A maioria dos membros e principalmente os chamados "chave" - Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Japão e União Européia - sabem que a realidade política se imporá sobre a eventual necessidade de alcançar um acordo sobre Doha.

Os Estados Unidos têm eleições presidenciais em novembro; o pleito europeu ocorrerá no primeiro semestre de 2009, com a posterior mudança da equipe da Comissão Européia (CE), o braço executivo da UE; no primeiro semestre também devem ser realizadas eleições legislativas na Índia.

Lamy pediu aos membros para decidir "se era possível, e quando, superar os obstáculos" que os tinham separado esta semana.

No entanto, todas as delegações abandonaram hoje Genebra e, no ar, ficou sem resposta a pergunta de como e quando serão retomadas as negociações lançadas na capital do Catar em novembro de 2001. EFE mh/db

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