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Washington, 26 fev (EFE).- A montadora General Motors (GM) voltou a mostrar que seu futuro é incerto ao anunciar hoje um prejuízo de US$ 30,9 bilhões em 2008 e ao reconhecer que seus auditores provavelmente colocarão em dúvida a viabilidade da companhia.

A principal preocupação da fabricante de veículos é sua limitada disponibilidade de liquidez para os pagamentos que tem que fazer se quiser continuar operando.

Em 31 de dezembro de 2008, a GM tinha à sua disposição US$ 14 bilhões em ativos, US$ 13,3 bilhões a menos que no fim de 2007, dos quais US$ 6,2 bilhões foram consumidos só no último trimestre do ano.

"A General Motors e seus auditores precisam determinar se existe uma dúvida substancial sobre a capacidade da fabricante de seguir adiante", reconheceu o fabricante ao anunciar o balanço financeiro de 2008.

A empresa também reiterou que precisa de mais ajuda das autoridades americanas para continuar funcionando, como explicou no Plano de Viabilidade apresentado ao Departamento do Tesouro em 17 de fevereiro.

No plano, a GM diz que poderia precisar de até US$ 16,6 bilhões, além dos US$ 13,4 bilhões que já obteve na forma de empréstimos do Governo federal.

"A GM precisa deste financiamento em 2009 para dar continuidade às suas operações até que as vendas mundiais de automóveis se recuperem e suas ações de reestruturação gerem lucro", acrescentou a fabricante.

A única esperança de sobrevivência da montadora é que o Governo de Barack Obama aprove seu plano de reestruturação e conceda os recursos necessários para sua implementação.

O diretor financeiro da GM, Ray Young, disse hoje que o veredicto dos auditores sobre a viabilidade da empresa dependerá, em grande medida, da forma como Washington receberá o plano.

Aumentando ainda mais a preocupação em torno do seu estado, a companhia também admitiu que as contribuições aos planos de previdência de seus empregados não estão sendo integralmente cumpridas.

Hoje, os principais executivos da GM, incluindo seu presidente e executivo-chefe, Rick Wagoner, se reuniriam em Washington com a equipe de analistas formada pelo Governo e que supervisionará a reestruturação do setor.

Na quarta-feira, por sua vez, os três maiores diretores da Chrysler - o presidente Robert Nardelli, o vice-presidente Tom LaSorda e o diretor financeiro Ron Kolka, se reuniram com a equipe de Obama em Washington durante quatro horas.

Nem a Chrysler nem o Departamento do Tesouro revelaram detalhes do que foi tratado no encontro, mas Young disse que a reunião de hoje não seria uma negociação, mas simplesmente uma oportunidade para que o Governo de Obama tire suas dúvidas.

O prejuízo de US$ 30,9 bilhões em 2008 é o segundo maior na história do GM. No ano retrasado, a GM registrou perdas de US$ 38,7 bilhões, mas hoje a empresa o elevou a US$ 43,3 bilhões.

Diante desses números, Wagoner declarou em nota que "2008 foi um ano extremamente difícil para o mercado automobilístico dos Estados Unidos e do resto do mundo, especialmente no segundo semestre. Estas condições criaram um ambiente muito difícil para a GM e outros fabricantes".

"Esperamos que estas condições difíceis continuem em 2009 e por isso estamos acelerando nossas ações de reestruturação", acrescentou.

Por sua vez, Young disse que a GM consumirá cerca de US$ 14 bilhões este ano, US$ 5,2 bilhões a menos que em 2008, e que a dívida total da companhia era de US$ 45,3 bilhões em 31 de dezembro de 2008.

Grande parte dessa quantia vai ser transformada em ações da companhia, dentro das condições estabelecidas por Washington para a concessão de empréstimos. EFE jcr/sc

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