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Número de operações chegou a 214, segundo levantamento da consultoria Deloitte; retomada da atividade econômica explica o avanço

O volume de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras quase dobrou no primeiro trimestre de 2010 em comparação com o mesmo período de 2009, com alta de 98%, para 214 operações, segundo levantamento feito pela Deloitte. A tendência positiva foi iniciada nos dois últimos trimestres de 2009, após a superação da crise mundial, e deve se manter ao longo do ano, beneficiada pelo crescimento econômico e pelo aumento da liquidez no mercado financeiro.

Segundo Reinaldo Grasson, sócio da Deloitte, o ritmo registrado no primeiro trimestre é sustentável e poderá se repetir nos próximos meses. Caso isso ocorra, o crescimento no volume de fusões e aquisições em 2010 deve chegar a 25%, com 150 operações a mais do que no ano anterior. De acordo com Grasson, as operações domésticas devem assumir a dianteira deste mercado devido ao aumento da renda e do crédito.

"Há crédito no mercado, os fundos de investimento estão capitalizados e as empresas tendem a aproveitar lacunas de crescimento aqui dentro", disse, destacando a demanda que deve ser criada por eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Outra frente de crescimento será a internacionalização de gigantes nacionais criados por meio da fusão de líderes de mercado, como Sadia e Perdigão (BRF - Brasil Foods), Aracruz e Votorantim Celulose (Fibria).

O estudo aponta que, entre as empresas de capital nacional, o volume de fusões e aquisições passou de 39 em 2009 para 114 operações em 2010. Investimentos estrangeiros no Brasil passaram de 58 para 65, enquanto investimentos brasileiros no exterior passaram de 11 para 35 nesta comparação. Os setores que se destacaram no ranking de fusões e aquisições foram os de atividades financeiras, tecnologia da informação e internet, açúcar e álcool e serviços.

Consolidação em açúcar e álcool

De acordo com a Deloitte, o setor de açúcar e álcool está em pleno processo de consolidação, atraindo o interesse de investidores nacionais e estrangeiros que procuram lucrar com a elevação dos preços internacionais devido à menor produção registrada na Índia, China e Paquistão nesse ano. Uma operação de destaque no segmento foi a joint venture entre Shell e Cosan, que alcançou aproximadamente US$ 12 bilhões.

Entre as principais operações no setor financeiro, destacam-se a aquisição de 25 corretoras de seguro pela Gulf Capital Partner e algumas parcerias, como a do Banco do Brasil com o Bradesco Seguros. Grasson lembrou que as emissões de ações voltaram a ocorrer neste ano, o que deve ser uma fonte adicional de recursos para o mercado de fusões e aquisições.

No primeiro trimestre, foram realizadas cinco ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), mesmo número registrado durante todo o ano de 2009. "Apesar de alguns terem saído abaixo da faixa inicial de preço, o interesse e a liquidez do mercado existem", disse.

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