Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Fusão VCP-Aracruz será alvo de ONGs

BRASÍLIA - Uma aliança de organizações não-governamentais com atuação na área ambiental tem a Aracruz e os planos de expansão da empresa, recém-comprada pela Votorantim e a ser fundida com VCP, como um de seus principais alvos. O Bank Track monitora 32 projetos e companhias que estão na lista negra mundial das ONGs voltadas à defesa do meio ambiente e de direitos sociais.

Valor Online |

No Brasil, além da Aracruz, estão as usinas hidrelétricas do rio Madeira e a Pará Pastoril e Agrícola (Pagrisa), empresa já autuada pelo Ministério do Trabalho.

No último relatório do Bank Track, a Aracruz é descrita como dona de um "histórico controverso" em "conflitos com comunidades indígenas, quilombolas e fazendeiros locais", além de ter-se envolvido em "agressivas campanhas contra povos indígenas".

O Bank Track também critica as operações da Aracruz com a sueco-finlandesa Stora Enso na Veracel, em um projeto na Bahia, onde teria desmatado florestas e retirado comunidades locais, segundo as ONGs. Elas acusam ainda a empresa de "já ter causado sérios impactos ambientais na água, solo e biodiversidade em suas plantações de eucalipto". "Água potável foi poluída e o solo secou como resultado de plantações de larga escala", afirma o Bank Track, citando o uso de fertilizantes e pesticidas.

A aliança das ONGs engloba entidades bem conhecidas, como a WWF, Friends of the Earth (Amigos da Terra), International Rivers Network e Rainforest Action Network. "A Aracruz ainda tem questões não-resolvidas envolvendo quilombolas e os direitos dos povos indígenas", diz Roland Widmer, gerente do programa de eco-finanças da Amigos da Terra-Amazônia Brasileira. "Queremos que a nova companhia que surge da fusão com a Votorantim seja uma empresa-cidadã, com algumas regras que precisam ser respeitadas, como o engajamento prévio com as partes interessadas", completa o ambientalista. Para ele, a participação do BNDESPar na operação transfere uma parte da responsabilidade ao governo brasileiro.

A Aracruz informa que estão superados os conflitos com as comunidades indígenas no Espírito Santo. Um termo de conduta foi assinado no fim de 2007 e contempla os direitos e obrigações de cada parte (companhia, índios e Funai) no processo de transferência de 11 mil hectares de terras para os índios. Segundo a empresa, 34% de suas terras - o equivalente a 158 mil hectares - são de matas nativas totalmente preservadas. Algumas representam as últimas reservas de Mata Atlântica no sul da Bahia e no centro do Espírito Santo. A Aracruz é a única companhia do mundo do setor que integra o Índice Dow Jones de Sustentabilidade da Bolsa de Nova York.

Widmer explica que, além de campanhas contra o financiamento bancário às empresas e projetos listados no Bank Track, as ONGs podem fazer "shareholder activity" - a compra de ações dos bancos para ganhar acesso às assembléias, como minoritários, e tentar influenciar a política de financiamento dessas instituições. "Mas primeiro tentamos informar e sensibilizar, partindo do pressuposto de que todos os atores são responsáveis e, no caso dos bancos, respeitam os Princípios do Equador", acrescenta.

(Daniel Rittner | Valor Econômico)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG