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Em uma negociação sem alarde, as redes de supermercados Rede Economia e MultiMarket acertaram uma fusão que cria o maior grupo do setor, em número de lojas, do Rio . A nova rede, que recebeu o nome de MultiEconomia, surge com 108 estabelecimentos, superando o grupo Pão de Açúcar, que conta com 99 lojas no Estado, com as bandeiras Pão de Açúcar, Extra, CompreBem, Sendas e Assai.

Segundo o diretor gestor da nova rede, Ronaldo Teixeira, os dois grupos são formados por associações de pequenos e médios supermercados, que operam sob uma gestão única de compra de mercadorias, logística e preço final. Teixeira conta que as negociações tiveram início em outubro, sendo concretizadas somente no final de semana. "A fusão visa aumentar a escala de compras com os fornecedores, reduzindo custos e gastos com logística. Nosso setor está cada vez mais competitivo e buscamos otimizar nossas operações", diz.

Sem revelar o faturamento anual das redes, o executivo diz apenas que a fusão não envolveu desembolso financeiro de nenhuma das partes: "Foi apenas uma fusão. Ninguém comprou ninguém", afirma. O executivo tenta desassociar o fechamento do negócio ao agravamento da crise econômica. "Esta já é uma tendência do mercado. A fusão não foi fechada por conta da crise, mas é claro que, com uma rede mais forte, estamos mais preparados para enfrentá-la", diz.

O maior poder de barganha do novo grupo e a redução nos gastos de logística já devem gerar, segundo Teixeira, economia de 5% a 10% nos gastos da MultiEconomia. "Os custos da integração serão poucos, cerca de R$ 4 milhões para adaptar as lojas à nova marca e identidade visual."

A nova rede emprega 7,8 mil funcionários e tem lojas espalhadas por todo o estado do Rio de Janeiro. O executivo afirma que, apesar da fusão, não haverá corte de pessoal. "Pelo contrário, pensamos em expandir e contratar mais gente", diz ele. Teixeira se refere ao plano de abrir cerca de mais 30 lojas ainda este ano.

O executivo diz que está sendo procurado por outras associações de pequenos e médios supermercadistas interessados em aderir à rede.

Na avaliação do consultor de varejo Marco Quintarelli, essa é uma tendência que deve se manter forte durante 2009. "Com o agravamento da crise, o crédito ficou mais escasso e as pequenas redes terão de buscar associações para se manter vivas. Com a associação, fica mais fácil, por exemplo, manter as margens, que vêm caindo nos últimos anos e podem cair ainda mais por conta dos reflexos da crise", avalia.