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Furacão atrapalha festa republicana nos EUA

SAINT PAUL (EUA) - A chegada do furacão Gustav ao Sul dos Estados Unidos estragou a festa que vinha sendo preparada há meses pelo Partido Republicano para dar impulso à candidatura do senador John McCain à Casa Branca, tirando dele uma oportunidade valiosa de vender seu peixe para o eleitorado antes da fase mais decisiva da campanha presidencial.

Valor Online |

A convenção em que os republicanos confirmarão a candidatura de McCain está prevista para começar hoje em Saint Paul, capital do Estado de Minnesota, mas a direção do partido decidiu cancelar a maior parte do programa do primeiro dia depois que o presidente George W. Bush, seu vice, Dick Cheney, e os governadores de vários Estados cancelaram suas participações.

Os republicanos decidiram rever a programação da convenção para evitar que sejam vistos pelo público como indiferentes ao sofrimento que o Gustav poderá causar. Uma das propostas em discussão ontem previa o uso de festas e outros eventos paralelos à convenção para pedir doações e ajuda para as comunidades que serão atingidas.

A chegada do furacão cria um problema sério para McCain e seu partido porque servirá para lembrar os eleitores da tragédia do Katrina, o furacão que atingiu Nova Orleans há três anos. O despreparo do governo Bush para lidar com a situação e ajudar os desabrigados na época virou um símbolo da incompetência da administração republicana.

O transtorno atinge McCain num momento especialmente delicado da sua campanha, em que os republicanos ainda procuram compreender os riscos e as vantagens da aposta arriscada que o candidato fez ao escolher a governadora do Alasca, Sarah Palin, como sua companheira de chapa. O senador apresentou Sarah num comício na sexta-feira.

A escolha foi tratada como piada quando o anúncio foi feito, mas nos dias seguintes a maioria dos comentaristas políticos concluiu que ela também poderá criar dificuldades para o candidato do Partido Democrata à Casa Branca, Barack Obama.

Sarah tem 47 anos de idade, elegeu-se governadora há menos de dois anos e antes disso foi prefeita de uma cidadezinha do Alasca. Sua indicação mina o principal argumento dos republicanos contra Obama, o de que ele é inexperiente demais para liderar os EUA. Ela também aumenta a insegurança que muitos eleitores sentem diante de McCain, um homem de 72 anos que já teve câncer de pele.

Mas ela também traz vantagens para McCain. Muitas mulheres não gostam de Obama e podem se interessar por Sarah. Líderes religiosos influentes entre os conservadores adoram a governadora. Sarah tem um filho de quatro meses portador de síndrome de Down. Ela soube cedo que a criança teria a doença e decidiu manter a gravidez.

O apoio dos evangélicos, que até agora não haviam demonstrado muito entusiasmo por McCain, pode ser decisivo em Estados onde a disputa com Obama tende a ser mais apertada. Eles já demonstraram no passado que têm grande capacidade de mobilizar o eleitorado e podem fazer diferença no dia da eleição.

A campanha de McCain diz ter arrecadado mais de US$ 7 milhões em novas contribuições nas horas que se seguiram ao anúncio da escolha de Sarah. É o equivalente a um terço de tudo que o candidato republicano arrecadou em junho, segundo a sua última prestação de contas. Vai ser difícil para os democratas atacar o currículo de Sarah sem chamar atenção para a inexperiência do próprio Obama e sem gerar atritos com o eleitorado feminino.

Aliados de McCain argumentam que, como prefeita e governadora, Sarah acumulou mais experiência do que Obama, que nunca administrou nada além do gabinete e do quartel-general da campanha.

Um sinal dos problemas que Sarah cria para Obama foi a maneira como os democratas reagiram ao anúncio da sua escolha. Um porta-voz da campanha primeiro atacou sua inexperiência. Horas depois, uma nota assinada pelo próprio Obama adotou outro tom, classificando a indicação como outro sinal encorajador de que antigas barreiras na nossa política estão caindo.

Muito vai depender do que acontecer nas próximas semanas, quando será testado o preparo de Sarah para o jogo bruto de uma campanha presidencial e ela e sua família terão suas vidas viradas pelo avesso pelos jornalistas e por adversários em busca de histórias embaraçosas.

Apesar das incertezas que a opção gerou, os primeiros efeitos da indicação de Sarah foram positivos para os republicanos. Em poucas horas Obama e os democratas praticamente sumiram da televisão e dos jornais. O fenômeno tende a se acentuar nesta semana, quando as atenções estarão divididas entre os estragos causados pelo furacão e a convenção dos republicanos.

O discurso de Obama que encerrou a convenção dos democratas na noite de quinta-feira, num estádio de futebol lotado em Denver, foi acompanhado por mais de 38 milhões de americanos pela televisão.

Pesquisas feitas nos últimos dias sugerem que ele voltou a abrir alguns pontos de vantagem sobre McCain graças à intensa exposição.

(Ricardo Balthazar | Valor Econômico)

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