SÃO PAULO - Os fundos de ações e os fundos de bônus de emergentes perderam US$ 3,2 bilhões na terceira semana de setembro, segundo os dados compilados pela EPFR Global. No entanto, a saída de recursos não foi tão violenta como se poderia esperar, ainda mais se levarmos em consideração a acentuada queda no preço dos ativos desses mercados até a quarta-feira, dia 17 de setembro.

Vale lembrar que os dados compilados pela EPFR Global compreendem a semana entre 10 e 17 de setembro, captando o pânico dos agentes seguindo a falência do Lehman Brothers, banco de investimento com mais de 150 anos , o colapso da AIG, que foi estatizada pelo Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, e a venda às pressas do Merrill Lynch para o Bank of America.

"As amplas medidas anunciadas para restabelecer a confiança nos mercados anunciadas no final da semana pelo Fed, pelo Tesouro dos Estados Unidos e pela Securities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado norte-americano) incluindo uma garantia para os investidores dos Money Market Funds deve aplacar a maré de resgates dos fundos", afirmou o diretor-gerente da EPFR Global, Brad Durham, se referindo ao plano de criação de uma agência para concentrar os créditos podres dos bancos e às proibições de venda à descoberto de ações de bancos, medidas anunciadas na sexta-feira.

Os dados da próxima semana já devem refletir essa recuperação de confiança em âmbito global, que resultou em disparada nas bolsas na Ásia, Europa, Estados Unidos e Brasil.

Voltando à análise dos dados até a quarta-feira dia 17, a EPFR Global aponta que o saque de recursos em emergentes foi bem modesto, já que as carteiras tiveram a pior rentabilidade semanal desde que começaram a ser acompanhadas em 2002.

Os emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês), Ásia (ex Japão) e os diversificados Mercados Emergentes Globais (GEM) viram suas carteiras desabarem cerca de 10% cada. Entre os desenvolvidos, a perda foi menor, ao redor de 5%.

O destaque da semana ficou com algumas categorias regionais, como Rússia, China e Turquia, que absorveram US$ 148 milhões, US$ 78 milhões e US$ 10 milhões, respectivamente. No entanto, os dados para a Rússia podem estar distorcidos, pois o governo fechou os mercados durante alguns dias.

O maior sinal de crise veio dos Money Market Funds, veículos que buscam investimento de curto prazo e baixo risco, que perderam o posto de porto seguro dos investidores depois que foram alvos de saques de US$ 42 bilhões na semana.

Os resgates aconteceram depois que os fundos sofreram os reflexos da quebra do Lehman Brothers, com os títulos de curto prazo que tinham em carteira virando pó. Segundo a EPFR Global, grande parte dos saques se concentrou no Reserve Primary Fund, o mais antigo Money Market dos Estados Unidos.

A categoria era o símbolo da busca por proteção desde o estouro da crise subprime em agosto do ano passado, absorvendo mais de US$ 400 bilhões desde então. Com os Money Market ameaçados, os investidores correram mesmo para a segurança da dívida norte-americana e para os mercados acionários dos Estados Unidos.

Na semana encerrada dia 17, os investidores injetaram US$ 6,57 bilhões nos Fundos de Ações dos EUA, mesmo com tal categoria registrando uma queda de 5,99% no valor de seu portfólio. Em 10 semanas não consecutivas a categoria já recebeu US$ 24,3 bilhões.

Na Europa, a semana foi bastante dura, com a rentabilidade das carteiras caindo 5,73%, maior baixa desde o terceiro trimestre de 2002. Os saques somaram US$ 785 milhões em meio a um ambiente ainda dominado pela preocupação com o baixo crescimento e elevada inflação.

A baixa confiança dos investidores na economia também resultou em saques no Japão. Segundo a EPFR Global os investidores também aguardam quem tomará o posto de Yasuo Fukuda, que renunciou ao cargo de primeiro-ministro.

Entre os fundos setoriais, mesmo com toda a seqüência de eventos negativos para o setor, a categoria Finanças, ainda assim, captou US$ 448 milhões, com os investidores confiantes nas medidas que o Fed vinha anunciando.

Com as perspectivas de crescimento econômico mundial se deteriorando cada vez mais, os fundos de Energia e Commodities seguiram perdendo dinheiro. Foram US$ 498 milhões e US$ 269 milhões, respectivamente. Desde meados de julho, essas duas categorias perderam mais de US$ 3,9 bilhões, enquanto outras consideras defensivas, como Bens de Consumo ganharam US$ 2,8 bilhões.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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