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Fundos de emergentes já perderam US$ 41,7 bilhões em 2008

SÃO PAULO - Os fundos de ações de mercados emergentes perderam US$ 553,4 milhões durante a semana encerrada dia 3 de dezembro. Com mais esse resultado negativo, os saques no acumulado do ano já chegam a US$ 41,7 bilhões.

Valor Online |

Ilustrando o que tal montante representa e dando uma dimensão da gravidade da crise atual, a EPFR Global, responsável pelo levantamento, aponta que as retiradas em 2008 equivalem a quase 50% de todo o dinheiro destinado a esses fundos durante os cinco anos anteriores.

Segundo a consultoria, que acompanha a movimentação de fundos com mais de US$ 10 trilhões em ativos, entre o final de novembro e o começo de dezembro, os Fundos de Ações da América Latina foram alvo de saques de US$ 91 milhões. Os diversificados Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês) perderam outros US$ 300 milhões. E os Emergentes da Europa, Oriente Médio e Ásia (EMEA, na sigla em inglês) registram fluxo negativo de US$ 208 milhões.

Contrastando com seus pares, os Fundos de Ações da Ásia (ex-Japão) ganharam US$ 46 milhões em dinheiro novo. O desempenho positivo perdura há três semanas e reflete a captação dos fundos destinados para a China. Os esforços agressivos do governo chinês para sustentar o crescimento econômico, que mesmo em período de crise deve superar os 7% ao ano, resultaram em captação de US$ 209 milhões para os Fundos de Ações da China. Outros grupos de fundos da região tiveram perdas, como aqueles voltados para Coréia e Índia, que registraram saques de US$ 17 milhões e US$ 14 milhões, respectivamente.

No âmbito geral, a movimentação de recursos entre os fundos reforça o quadro de ausência de grandes investidores, segundo avaliação do diretor-gerente da EPFR Global, Brad Durham. "O que se vê agora são investidores cautelosos testando o que alguns acreditam ser o piso do ciclo de baixa", disse Durham por meio de comunicado.

Evidenciando a cautela dos investidores, os Money Market Funds (que buscam investimento de curto prazo e baixo risco) foram destaque na captação, absorvendo outros US$ 27 bilhões. Desde o início do quarto trimestre, tal categoria já recebeu US$ 233 bilhões e, no acumulado do ano, o montante captado está em US$ 370 bilhões.

Entre os países desenvolvidos, destaque, mais uma vez, para os Fundos de Ações da Europa. Os investidores se anteciparam às reduções de juros anunciadas na quinta-feira e enviaram US$ 1,74 bilhão para os veículos de investimento destinados ao país. Desde a segunda semana de outubro a categoria já recebeu US$ 7,63 bilhões. No entanto, os saques no acumulado do ano ainda somam US$ 40 bilhões.

Nos Estados Unidos, os dados negativos sobre a economia, principalmente no lado referente ao mercado de trabalho, resultaram em baixa movimentação. Os fundos de ações do país perderam US$ 112 milhões na semana, quantia irrisória, equivalente a apenas a 0,01% do total de ativos sob gestão.

No Japão, a captação de recursos esbarra na valorização do iene ante o euro e o dólar, o que prejudica as exportações do país. Os fundos de ações perderam recursos pela oitava semana consecutiva, elevando o total perdido no ano para cerca de US$ 8 bilhões.

Entre os fundos setoriais, a movimentação foi baixa e sem tendência definida. E os segmentos tidos como defensivos tiveram desempenho díspar. Enquanto os fundos voltados para Serviços Públicos ganharam US$ 60 milhões, aqueles com foco em Saúde/Biotecnologia e Bens de Consumo perderam US$ 168 milhões e US$ 34 milhões respectivamente.

Os setoriais de Energia foram alvo de saques de US$ 110 milhões e os investidores retiraram outros US$ 237 milhões dos fundos voltados para o setor financeiro.

Na renda fixa, os saques continuaram acentuados, com US$ 1,38 bilhão retirados dos Fundos de Bônus dos Estados Unidos e outros US$ 212 milhões dos Fundos de Bônus de Emergentes.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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