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SÃO PAULO - A última semana de agosto foi marcada por acentuada saída de recursos tanto de fundos de renda fixa quanto de renda variável. E os investidores não demonstraram muita pressa em realocar esse dinheiro.

De acordo com a EPFR Global, consultoria que acompanha fundos com mais de US$ 10 trilhões em patrimônio, das 24 grandes categorias acompanhadas, 17 foram alvo de saques, que somaram US$ 7,6 bilhões. Por outro lado, apenas 7 absorveram recursos, sendo que dessas apenas 3 captaram mais de US$ 150 milhões.

Dentro desse contexto, não é de surpreender se os emergentes voltarem a perder recursos. Segundo a EPFR, desde meados de junho, tal categoria já perdeu mais de US$ 23 bilhões.

No encerramento de agosto, os Fundos de Ações da América Latina completaram a 12ª semana consecutiva de saída de recursos, com os saques no período totalizando US$ 4,1 bilhões. Dentro do grupo, o Brasil continua liderando os saques.

Para a consultoria, o que explica esse menor apetite por mercados emergentes é a acentuada correção no preço das commodities, algumas revisões para baixo na perspectiva de crescimento e a inflação assustadoramente elevada em países como Rússia, Índia, África do Sul e Argentina.

A EPFR também constatou que ainda existe algum apetite por exposição direta à China, com os fundos dedicados ao país recebendo US$ 175 milhões.

O grupo Emergentes do Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) é o único que ainda apresenta balanço positivo no acumulado do ano, mas os US$ 2,9 bilhões absorvidos desde janeiro, caíram em US$ 230 milhões durante a semana encerrada dia 27 de agosto.

Dentro dos mercados que compõem o EMEA, a Rússia é o destaque negativo, registrando uma abrupta perda de atratividade, resultado direto da pressão do governo sobre setores tidos como estratégicos e da incursão militar na Geórgia. Desde o final de junho os fundos dedicados do país já perderam US$ 800 milhões.

Entre os desenvolvidos, os saques também foram regra. Os Fundos de Ações dos Estados Unidos perderam US$ 2,52 bilhões, encerrando uma seqüência de quatro semanas de captação.

No Japão, a idéia de que a alta de preços levaria os investidores a sair dos títulos e buscar rendimentos em ações foi substituída pela preocupação com a estagflação. Isso resultou em saques de US$ 128 milhões.

Na Europa, os sinais de menor crescimento econômico se acumulam ao mesmo tempo em que a inflação continua a subir. Não bastasse isso, as condições de crédito cada vez mais restritas assustam os investidores. Na semana, os Fundos de Ações da Europa perderam US$ 1,23 bilhão.

Entre os fundos setoriais, o destaque, mais uma vez, ficou com os fundos voltados para o setor financeiro. Depois de perder mais de US$ 2,3 bilhões em duas semanas, a categoria recebeu US$ 813 milhões em dinheiro novo. Segundo a EPFR, os investidores acreditam que o governo vai dar todo o suporte às financeiras hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae. Essa mesma crença também explica a captação de recursos pelos fundos de imóveis e construção.

(Eduardo Campos | Valor Online)