SÃO PAULO - O terceiro trimestre de 2008 definitivamente não foi dos melhores para os Fundos de Ações Emergentes. Segundo a EPFR Global, a categoria perdeu mais de US$ 28,5 bilhões entre julho e setembro, o que corresponde a 25% do total de saques em todos os grupos de ações, que somaram US$ 113 bilhões.

Cabe destacar que do total perdido pelos emergentes, cerca de US$ 17 bilhões saíram durante o mês de setembro.

O trimestre foi particularmente negativo para os Fundos de Ações da América Latina, que tiveram saques em todas as semanas do período, acumulando perda de US$ 5,1 bilhões.

Segundo a consultoria, assim como os emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês), o grupo América Latina sofreu com a baixa no preço das commodities e o realinhamento das expectativas em torno do menor crescimento mundial.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o saldo na América Latina é negativo em US$ 4,175 bilhões, montante que contrasta com uma captação de US$ 8,208 bilhões em igual período do ano passado. Entre todos os emergentes, as retiradas somaram US$ 32,842 bilhões desde o começo do ano.

Decompondo o resultado por país, o Brasil ainda apresenta saldo positivo de US$ 113 milhões de janeiro a setembro. Em igual período do ano passado, a cifra era de US$ 2,362 bilhões.

Nesta base de comparação, o destaque fica com a China, que ainda registra captação de US$ 3,114 bilhões de janeiro a setembro, contra saída de US$ 2,755 bilhões em igual período do ano passado. A Rússia apresenta ganho de US$ 2,425 bilhões no ano, em contraste com perda de US$ 285 milhões nos nove primeiros meses de 2007. Resultado negativo para os fundos de ações da Índia, que acumulam perda de US$ 1,553 bilhão. Em igual período de 2007 o resultado era negativo em US$ 1,96 bilhão.

Avaliando o movimento dos fundos de maneira geral, o diretor-gerente da EPFR Global, Brad Durham, afirma que o terceiro trimestre de 2008 aponta uma mudança no padrão de alocação de recursos que vinha sendo observado durante os últimos três anos.

"Os investidores saíram dos mercados emergentes, ações e bônus globais e voltaram para os fundos de ações e bônus dos Estados Unidos", afirmou Durham em comunicado.

Segundo o diretor, uma série de fatores estimulou essa reversão de fluxo, entre elas a clássica "fuga para a qualidade" (flight to quality, na expressão em inglês), expectativas de fortalecimento do dólar e o uso dos Exchange-Traded Funds (ETFs) - que acompanham índices de mercado, para se posicionar em um cenário de baixa.

"Os ETFs voltados para as ações nos EUA receberam cerca de US$ 57 bilhões no decorrer do trimestre, enquanto os fundos de ações que não são ETF apresentaram saques de US$ 18 bilhões. Já a performance de todos os fundos foi negativa 10,8%", exemplificou Durham.

Ilustrando as declarações do diretor estão os US$ 42 bilhões que os Fundos de Ações dos EUA receberam entre julho e setembro. Com essa enorme quantidade de dinheiro entrando, o resultado no acumulado do ano, que estava negativo em US$ 58 bilhões no final de junho, recuou para apenas US$ 16 bilhões no fechamento de setembro.

O estudo não trouxe os números trimestrais sobre o fluxo de dinheiro nos fundos do Japão e da Europa, mas a EPFR aponta que o trimestre foi negativo para os dois grupos.

No acumulado do ano, os Fundos de Ações da Europa perdem US$ 49,48 bilhões, o que equivale a 38% de todos os saques em todas as categorias de ações. Em igual período do ano passado, a saída era de US$ 11,534 bilhões. Os Fundos de Ação do Japão registram perda de US$ 5,98 bilhões entre janeiro e setembro, contra uma saída de US$ 11,534 bilhões observada no mesmo intervalo de tempo de 2007.

Entre os fundos setoriais, apesar de toda a crise financeira que acabou com os mais tradicionais bancos de investimento de Wall Street, a categoria Finanças foi o destaque, captando US$ 5,6 bilhões entre julho e setembro. Denotando uma postura mais defensiva, os fundos setoriais de Saúde também receberam dinheiro novo no trimestre, foram US$ 2,7 bilhões.

No acumulado do ano, o grupo Finanças também é o destaque acumulando US$ 12,787 bilhões em saldo, uma forte disparada em comparação com os nove primeiros meses de 2007, quando o resultado era positivo em apenas US$ 672 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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