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Fundos de ações da América Latina perdem US$ 3,5 bilhões em 10 semanas

SÃO PAULO - A grande dependência por commodities tem se mostrado tóxica para os emergentes da América Latina. Segundo a EPFR Global, os fundos de ações da região já perderam US$ 3,45 bilhões nas últimas 10 semanas, com o Brasil liderando o volume de saques.

Valor Online |

Reforçando essa constatação, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), principal centro de liquidez da região, apresentava saldo estrangeiro em negociação direta negativo de R$ 1,68 bilhão até o dia 12 de agosto. Desde junho, os não residentes já tiraram mais de R$ 16,7 bilhões da bolsa brasileira.

Com o preço de algumas matérias-primas oscilando em mínimas não registradas em seis meses, e petróleo na faixa de US$ 110 o barril de WTI, a maioria dos emergentes perde atratividade.

Segundo a consultoria, a Rússia voltou a ser alvo de saques e, pela primeira vez no ano, os Emergentes do Oriente Médio e África (MENA, na sigla em inglês) registraram retirada de recursos. Contrastando com tal cenário, o grupo Ásia (ex-Japão) recebeu dinheiro novo, com operações direcionadas para os subgrupos China, Índia e Coréia do Sul.

A maior preocupação com o ritmo de crescimento da economia mundial, depois que o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona Euro ficou negativo pela primeira vez em 10 anos, além de novas perdas nos balanços de instituições financeiras, fizeram com que os investidores assumissem postura mais defensiva. Não é de se admirar que os fundos com maior captação foram os Money Market Funds (que buscam com investimentos de curto prazo e baixo risco), Fundos de Ações dos Estados Unidos e Fundos de Bônus dos EUA.

Segundo a EPFR, os Money Market Funds receberam US$ 5,9 bilhões na segunda semana de agosto, elevando o montante captado no ano para cima da marca de US$ 150 bilhões.

Na Europa, a preocupação com o desempenho da economia tomou o lugar da atenção com a inflação, mas isso não se traduziu em volumosos saques dos fundos de ações. Durante a semana encerrada dia 13 de maio, a categoria perdeu apenas um décimo da média de US$ 1,75 bilhão que vinha sendo mantida nas últimas 15 semanas.

No Japão, a EPFR detectou uma postura de esperar para ver, com os investidores apostando que a maior inflação levará a uma migração de recursos de investimentos de perfil mais conservador para a bolsa de valores. Mesmo assim, a categoria registrou saques pela terceira semana seguida.

Nos EUA, os fundos de ações seguem com captação positiva, com destaque, mais uma vez, para as ações de grandes empresas (large caps) e os Exchange-Traded Funds (ETFs), que acompanham índices de mercado.

Na avaliação setorial, os fundos de Energia e Commodities também sentiram essa percepção negativa quanto ao preço das matérias-primas. Os grupos perderam mais de US$ 1 bilhão na semana.

Mudança de percepção também para o setor financeiro. Depois de semanas captando recursos com os investidores comprando a idéia de barganha no setor bancário norte-americano, os fundos voltados ao setor perderam US$ 1,7 bilhão em recursos. O bom humor do investidor não resistiu a uma nova rodada de baixas contábeis e rebaixamentos de classificação de risco.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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