SÃO PAULO - Com a forte piora de humor nos mercados entre o final de fevereiro e o começo de março, a captação de recursos pelos Fundos de Ações da América Latina, que já durava oito semanas consecutivas, chegou ao fim. Os fundos voltados ao Brasil também inverteram o sinal depois de seis semanas seguidas de captação.

Mas a perda de dinheiro não foi exclusividade da região. Segundo a EPFR Global, consultoria que monitora os fundos globalmente, todos os emergentes foram alvos de saques na semana encerrada dia 4 de março.

Os Fundos Ásia (sem Japão) perderam US$ 1,09 bilhão, maior saque das últimas 20 semanas. Mais uma vez, os veículos de investimento voltados para a China lideraram as retiradas. A promessa de crescimento de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês não convenceu os investidores, que esperavam medidas e não apenas discursos, e sacaram mais de US$ 300 milhões da região.

Os Emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) marcaram a 29ª semana seguida de saques. E os diversificados Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês) também perderam dinheiro.

A EPFR Global destaca que a semana foi negativa para quase todas as categorias acompanhadas. Apenas 6 dos 24 grandes grupos de ações, renda fixa e fundos setoriais conseguiram captar dinheiro.

Todos os fundos de ações acompanhados voltaram a perder US$ 10,4 bilhões, mesmo montando registrado na semana anterior. E os fundos que investem em bônus viram US$ 2,4 bilhões irem embora.

Como sempre acontece em momentos de maior aversão ao risco, os " money market funds " , ganham destaque. A categoria, que reúne carteiras que buscam investimentos de curto prazo e baixo risco, recebeu US$ 12,8 bilhões na semana.

Entre os desenvolvidos os saques também foram regra. Os Fundos de Ações dos Estados Unidos marcaram a quinta semana de perda, que elevou o total de recursos sacados no ano para US$ 32,4 bilhões.

Os Fundos de Ações do Japão viram outros US$ 1,72 bilhão ir embora na semana, enquanto os Fundos de Ações da Europa perderam US$ 539 milhões.

Para a EPFR Global, se existe algum consolo, é que os saques no acumulado do ano ainda estão consideravelmente menores se comparados a igual período de 2008. No entanto, quando tal comparação é feita em percentual de ativos sob administração, as retiradas já são maiores no comparativo anual.

Entre os fundos setoriais, destaque para os fundos de Finanças, que mesmo com a forte desvalorização dos ativos que compõem as carteiras, captou US$ 214 milhões. No entanto, no acumulado do ano, tal categoria já perdeu US$ 1,1 bilhão.

A categoria Commodities, que vinha liderando a captação de dinheiro por 11 semanas seguidas, perdeu US$ 266 milhões. Até as categorias defensivas, como Saúde/Biotecnologia, Bens de Consumo e Serviços Públicos não foram poupados e perderam recursos.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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