SÃO PAULO - Apesar da rodada de notícias negativas que marcou o período, como montadoras dos Estados Unidos pedindo mais dinheiro ao governo e bancos do Leste Europeu sob suspeita de quebra, os Fundos de Ações voltados à America Latina seguiram captando recursos. Segundo a EPFR Global, consultoria que acompanha a movimentação de fundos com mais de US$ 11 trilhões em ativos, a categoria marcou a sétima semana consecutiva de entrada de recursos.

Nesse período, o total destinado aos fundos de ações da região já soma US$ 740 milhões. Por país, o Brasil foi destaque, marcando a quarta semana seguida com entrada de dinheiro.

Ainda entre os emergentes, os diversificados Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês) também receberam recursos. Já os Fundos de Ações da Ásia (ex Japão) foram alvo de saques de US$ 509 milhões. Segundo a EPFR Global, tal saída é explicada pela realização de lucros nos fundos com foco na China, que perderam US$ 450 milhões.

Perda também para os Emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês). Os motivos para os saques foram muitos, entre eles a preocupação com a solvência dos bancos do Leste Europeu e o impacto do baixo preço do petróleo na Rússia e Oriente Médio. Desde o começo de 2008, essa categoria já perdeu US$ 693 milhões.

De maneira geral, a EPFR Global avalia que ainda existe algum otimismo no mercado, algo sinalizado pela perda de dinheiro nos money market funds - que buscam investimento de curto prazo e que têm baixo risco. A categoria, tida como porto seguro para as aplicações, foi alvo de saques de US$ 19,08 bilhões na semana encerrada dia 18 de fevereiro. Nas últimas três semanas, esses fundos já perderam US$ 45 bilhões.

"Ainda não está claro para onde esse dinheiro está indo", avalia Cameron Brandt, analista-sênior da EPFR Global, em comunicado. "Mas a última vez que os money market funds tiveram grandes saques, no segundo trimestre de 2008, o fluxo para os fundos de ações emergentes aumentou significativamente."
Considerando todos os fundos de ações acompanhados pela consultoria, os saques cresceram, passando de US$ 6,2 bilhões na segunda semana de fevereiro, para US$ 9,2 bilhões na semana encerrada dia 18.

Mais uma vez, os Fundos de Ações dos Estados Unidos responderam pela maior parte dos saques, perdendo US$ 7,7 bilhões. O plano de estímulo econômico de US$ 790 bilhões virou lei, mas ainda persistem muitas dúvidas sobre como será implementado e se, de fato, trará os resultados esperados.

Os Fundos de Ações da Europa se mostraram resistentes ao noticiário negativo para o setor financeiro da região, que está exposto aos bancos dos vizinhos europeus do leste. Segundo a consultoria, os saques na semana foram modestos, ficando em 0,21% do total de ativos administrados.

No Japão, a entrada de recursos registrada na semana encerrada dia 11 não se confirmou como tendência, com os fundos de ações voltados ao país perdendo US$ 278 milhões, ou 5,04% do total de ativos gerenciados, na terceira semana do mês. Mais uma vez, a valorização do iene tirou a atratividade dos exportadores do país, que já sofrem com a retração da demanda nos EUA. Fora isso, a falta de habilidade e ação rápida do governo mina a confiança dos investidores com relação ao país.

Entre os fundos setoriais, o destaque segue com a categoria de Commodities, que marcou a décima semana consecutiva de captação de recursos. No período, os investidores já colocaram US$ 2,33 bilhões nesses fundos. Mais uma vez, os subgrupos voltados para ouro e prata lideraram as captações.

Os fundos de Imóveis/Construção e Energia também receberam dinheiro novo no período. E mesmo com perda acentuada do valor de seus ativos, os Fundos de Finanças também tiveram captação positiva.

Já as categorias vistas como mais defensivas perderam dinheiro, entre elas Bens de Consumo, Serviços Públicos e Saúde/Tecnologia.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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