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Fundo inglês Actis reserva quase R$ 1 bilhão para o Brasil

SÃO PAULO - O fundo inglês de private equity Actis, especializado em comprar participações em empresas, está prestes a fazer os primeiros negócios no Brasil. A gestora anuncia hoje, em Londres, a criação de seu terceiro fundo, com capital de US$ 2,9 bilhões captados em meio à maior crise financeira em décadas.

Valor Online |

O fundo será o primeiro da Actis com uma parcela de recursos dedicada ao Brasil, que terá quase R$ 1 bilhão. Até agora, a gestora, que tem mais de 60 anos, só investia na China, Índia, África e Sudeste Asiático. A Actis pertencia ao governo britânico. Em 2004, foi privatizada e os próprios executivos começaram a tocar as operações do fundo.

Dos US$ 2,9 bilhões captados, US$ 450 milhões estão reservados para os países latino-americanos, dos quais entre 70% e 80% devem ser alocados no Brasil. Chu Kong e Patrick Ledoux, responsáveis pelas operações da Actis na América Latina, dizem que o Brasil é o foco da gestora na região, por conta do potencial de crescimento do país. A base das operações será em São Paulo, com equipe de seis pessoas.

Antes mesmo de encerrar oficialmente a captação do fundo, a gestora já acerta os primeiros investimentos no país. Segundo Ledoux, três empresas estão em fase avançada de negociação. A política do Actis é investir no mínimo US$ 50 milhões por companhia, ou seja, a gestora procura empresas em estágio mais avançado de desenvolvimento. A meta é aplicar recursos em oito a dez companhias brasileiras. Dependendo da empresa e do setor, o investimento pode ser minoritário ou o fundo pode assumir o controle.

Os gestores contam que há quatro setores prioritários para os investimentos. Serviços financeiros, bens de consumo, saúde e educação. Isso não exclui aportes em companhias de outros setores com potencial de crescimento. O fundo trabalha com prazo de investimento de 3 a 7 anos.

A Actis é focada em mercados emergentes. Chu Kong avalia que esses países devem sofrer menos com a crise atual do que os países desenvolvidos. " Os emergentes também vão se recuperar mais rápido dos efeitos da crise. Por isso, este é o momento de investir. "
Quando começou a sondar o mercado para criar seu terceiro fundo, a Actis planejava uma carteira de até US$ 2,5 bilhões. A procura surpreendeu e o fundo acabou sendo fechado com US$ 2,9 bilhões. Ao todo, 100 investidores colocaram recursos, dos quais um terço vieram dos Estados Unidos, um terço da Europa e o restante de outras regiões do planeta. O número foi bem maior que o do segundo fundo da gestora, que recebeu aplicações de 35 instituições.

O fato de o fundo ser focado em mercados emergentes foi um dos atrativos, avalia Ledoux. Esses países funcionam como alternativa de diversificação de capital para o investidor europeu e americano. Dos 100 investidores, muitos estão investindo pela primeira vez nesses mercados. " Também temos apresentado histórico de sucesso em nossos investimentos " , diz Kong, o que ajuda a atrair mais investidores.

Este é o terceiro fundo da Actis e o objetivo é investir em até 40 companhias. Nos últimos 10 anos, foram investidor mais de US$ 3 bilhões em 154 negócios em 42 países. A gestora possui 13 escritórios em 11 países.

Mesmo com a forte crise, os fundos de private equity têm conseguido levantar recursos e viraram alternativa de investimento para empresas, em meio à escassez de crédito bancário e da paralização das aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês).

A Pátria Investimentos fechou a captação de US$ 700 milhões, de seu terceiro fundo, e de outros US$ 400 milhões de sua segunda carteira para o setor imobiliário. A gestora ainda capta para um outro fundo, dedicado ao setor de infraestrutura. Além do Pátria, o Banco do Brasil e o Banif acabam de concluir a captação de R$ 600 milhões para um fundo que busca empresas com boa governança corporativa.

Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há pedidos para a formação de seis novas carteiras totalizando R$ 757 milhões em recursos. Entre os fundos de participação já aprovados pela CVM este ano, há mais de 60 carteiras, autorizadas a captar R$ 18,4 bilhões no mercado.

(Altamiro Silva Júnior | Valor Econômico)

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