O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve anunciar hoje mais uma medida para injetar dinheiro nos bancos de pequeno e médio portes que têm enfrentado dificuldade para captar recursos em meio à crise financeira. A intenção é que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) - uma espécie de seguro que cobre depósitos dos clientes - repasse dinheiro para que os bancos emprestem às famílias e empresas em novas operações de crédito.

O diretor-executivo do FGC, Antônio Carlos Bueno, explica que o plano foi traçado pelos bancos e pelo Banco Central e seu objetivo é permitir que as instituições de menor porte possam voltar a emprestar mais. Assim, o FGC vai repassar recursos às instituições financeiras e o banco poderá oferecer novos empréstimos aos clientes. Quando a operação é efetivada, o contrato do financiamento - chamado de recebível - será entregue ao FGC como garantia da operação.

Sem dinheiro, esse segmento bancário reduziu drasticamente os empréstimos, o que colabora para desacelerar a atividade econômica nos últimos meses. Pelas regras atuais, o Fundo pode apenas adquirir carteiras de crédito existentes. Ou seja, se um banco pequeno enfrenta dificuldades pode vender a carteira de crédito, recebendo à vista parte do valor que teria a receber pelo conjunto dos empréstimos repassados ao FGC. Nos últimos meses, foram negociados cerca de R$ 3 bilhões em carteiras.

Com a mudança, o FGC poderá financiar novas operações. Antônio Carlos Bueno estima que o fundo poderá emprestar até R$ 9 bilhões. O valor, no entanto, é variável porque bancos grandes poderão alocar recursos no Fundo para aproveitar benefícios com relação ao depósito compulsório. Além disso, o Fundo tem crescido em cerca de R$ 250 milhões mensais.

Segundo Antônio Carlos Bueno, serão beneficiados bancos com patrimônio líquido de até R$ 2,5 bilhões. Essas instituições poderão tomar recursos do Fundo em valor equivalente a até cerca de 50% do patrimônio. O diretor-executivo explica que o fundo vai fornecer os recursos para as instituições e os bancos terão prazo - provavelmente de 30 dias - para realizar o empréstimo ao cliente final. Ao tomar os recursos, os bancos só poderão realizar empréstimos com até 48 meses.

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