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Antes que o governo brasileiro anunciasse medidas para injetar recursos no setor imobiliário, o fundo norte-americano Equity Internacional, dos investidores Sam Zell e Gary Garrabrant, aproveitou para adquirir 3,3 milhões de ADRs (ações brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York) da construtora Gafisa - o equivalente a 5% da empresa. Com a operação - que movimentou cerca de US$ 50 milhões, segundo estimativa de analistas -, o fundo aumentou sua participação na empresa para 18,7%.

O anúncio foi feito pela companhia ontem, mas a Gafisa não sabe precisar quando foram realizadas as operações. "Como a gente tem liquidez muito grande e um volume alto de venda de ações diário, pode ter sido muito rápido, questão de dias", afirma o diretor de relações com investidores da empresa, Wilson Amaral.

Na opinião do executivo, obviamente, a crise financeira acelerou a decisão do fundo de aumentar o investimento na Gafisa, por ter provocado a baixa no valor das ações. "Quem está antenado sabe que o valor da ação está muito longe de expressar o valor real da empresa", diz o executivo, ressaltando que, nos EUA, o papel, que já foi negociado a US$ 50, nos últimos dias vinha sendo vendido a cerca de US$ 15.

Mas, segundo Amaral, isso não significa movimento especulativo, já que o fundo tem perfil de investimento de longo prazo e mantém dois assentos no conselho da companhia. "Estamos com o fundo há três anos na empresa. Essa compra é uma demonstração importante de um fundo que conhece profundamente o Brasil, o setor e a empresa. Isso demonstra que confia na gente."

Analistas do mercado financeiro concordam com a interpretação do executivo. "Significa que investidores estrangeiros ainda estão vendo o mercado brasileiro como atrativo, principalmente as líderes de mercado, como Gafisa e Cyrela", afirma Jayme Alves, analista da corretora Spinelli. Ontem, as ações da Gafisa tiveram valorização de 7,41%.

Embora a operação do fundo Equity International para aumentar a participação na Gafisa tenha sido rápida, na opinião do diretor da corretora Alvarez & Marsal, Luis de Lucio, a negociação em nada deve ter a ver com o anúncio do pacote do governo de ajuda ao setor. "São situações paralelas e coincidentes", afirmou. Conforme Lucio, a influência mais provável na decisão foi o preço.