Ribeirão Preto, SP, 09 - A incidência de cancro cítrico nos pomares comerciais do parque citrícola de São Paulo atingiu um índice de 0,17% do total de 96.201 talhões existentes no Estado, segundo o levantamento por amostragem realizado em agosto e divulgado hoje pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

Do total, 163 talhões (quadras) apresentaram ao menos uma planta contaminada entre 8.566 talhões vistoriados por amostragem em diferentes regiões de São Paulo.

O índice, superior aos 0,10% do ano passado, se deve ao aparecimento de focos em regiões onde não havia sido diagnosticada incidência anteriormente. No entanto, para o professor José Carlos Barbosa, do Departamento de Estatística da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal (SP), a flutuação entre 0,10% e 0,20% é característica da doença. "Não há uma diferença expressiva da incidência se comparada à do ano passado. O importante agora é controlar os focos em regiões onde antes não havia cancro cítrico e que hoje apresentam índices baixos", afirma Barbosa, um dos coordenadores do levantamento.

O maior percentual de contaminação da doença foi observado na região oeste (1,6%), seguida pelas regiões noroeste (0,49%) e central (0,16%) do Estado. Na região norte (0,056%), um único novo caso foi encontrado e na sul não houve incidência. Se comparado com o do ano passado, o levantamento aponta novos focos da doença em três regiões do Estado de São Paulo. Além do caso na região norte, surgiram focos na oeste, com seis novos talhões contaminados, e na central, com dois.

O gerente-técnico do Fundecitrus, Cícero Massari, diz que o os seis novos casos da região oeste foram encontrados nos municípios de Espírito Santo do Turvo e Santa Cruz do Rio Pardo, cada um com três talhões, próximos à região sul "Embora o índice de incidência do cancro cítrico esteja baixo, os seis novos casos encontrados nesses locais são preocupantes. Nessa região, a citricultura tem crescido notavelmente, e por se tratar de locais com muitos pomares novos, estão mais susceptíveis à contaminação por cancro", explica.

Chuvas e Divisa

Ainda segundo Massari, dois fatores colaboram para o crescimento do cancro no oeste do Estado: o índice de chuva maior que o registrado em outros pontos e a proximidade da divisa com Estados que não têm um controle tão rigoroso das doenças de citros quanto São Paulo.

A inspeção por amostragem é realizada anualmente, por meio do sorteio de talhões nunca antes inspecionados, para verificar se há focos. Também é feito um acompanhamento naqueles onde já foi identificada a doença, a fim de medir a sua incidência. Os inspetores do Fundecitrus vistoriam, por meio de sorteio aleatório, em média, 10% dos talhões pertencentes ao parque citrícola das quatro principais variedades de citros em São Paulo: pêra, natal, valência e hamlin.

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