A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), que segundo seus dirigentes é uma entidade vinculada à CUT e representa 110 mil empregados em todo o Brasil, deve entregar amanhã a pauta de reivindicações à direção da empresa estatal relativa à campanha salarial nacional 2008/2009. Além de solicitar reajuste de 44,81% por perdas salariais ocorridas desde primeiro de julho de 1994 e aumento real de R$ 200,00, pede um gatilho salarial em favor dos empregados da categoria toda vez que a inflação atingir 3%.

O pedido vai contra o esforço do governo no combate à volta da indexação de preços e salários.

De acordo com o diretor de políticas sindicais da entidade, Geraldo Rodrigues, o gatilho salarial foi agregado à pauta de reivindicações deste ano porque a categoria está preocupada com o recente movimento de alta da inflação. "Nosso medo é que a inflação volte a subir com força. Pode ser que ela caia logo e fique tudo bem. Mas pode ser que suba mais e fique bem alta", comentou. Fernando Rodrigues, membro da comissão nacional dos trabalhadores da Fentect, afirmou que o gatilho é uma solicitação "preventiva" e visa proteger os trabalhadores do setor.

Para Geraldo Rodrigues, contudo, são pequenas as chances de que os Correios concordem com qualquer gatilho salarial para compensar a alta mais vigorosa da inflação. "A gente vai pedir, mas sabemos que dificilmente a empresa vai aceitar o gatilho. Como faz parte da pauta, vamos defender a medida. O nosso dever é trabalhar para que isso seja aprovado. Certamente, não será nada fácil", comentou. Uma avaliação semelhante também é manifestada por seu colega Fernando Rodrigues, vinculado ao sindicato da categoria do Pará. "Como a inflação está mais alta neste ano, conseguir o que defendemos na pauta de reivindicações será muito mais difícil do que foi em 2007."

O diretor da Fentect destacou que a CUT não pediu para que a categoria incorporasse o gatilho na pauta de reivindicações para a data-base deste ano, cuja negociação começa no dia primeiro de agosto e se encerra normalmente em meados de setembro. "Nós temos liberdade para definir nossa lista de solicitações e a CUT também não interferiu para que retirássemos este item", comentou.

Segundo o secretário-geral da Fentect, Manoel Cantoara, os funcionários dos Correios estão em greve desde a zero hora de ontem, com exceção dos Estados de Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com Max Velazques, membro do comando de negociação salarial da entidade, a greve foi provocada porque a estatal não cumpriu um acordo firmado com a Federação, que consistia, entre outros pontos, na concessão de um adicional de 30% ao salário-base de cada funcionário dos Correios e pagamento da participação sobre lucros e resultados.

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