Cerca de 600 empregados da Vale decidiram protocolar hoje, no Sindicato Metabase de Itabira, abaixo-assinado pedindo a realização de assembleia deliberativa para análise da licença remunerada proposta pela mineradora. Apesar do pleito, o sindicato mantém firme sua posição de não aceitar a proposição da mineradora, que prevê licença com 50% do salário-base e o pagamento do piso de R$ 856,00 previsto no Acordo Coletivo de Trabalho de 2007/2009.

Pelos termos do acordo, a Vale também se compromete a manter, até 31 de maio de 2009, os empregos de quem aceitar o acordo.

O número de manifestantes em defesa da votação parece alto, já que o Sindicato reúne 2,15 mil trabalhadores na ativa. Mas, segundo o assessor sindical da entidade, Efraim Gomes de Moura, nem todas as assinaturas são de associados, embora ele não saiba dizer quantas pessoas estão, de fato, filiadas. "A proposta foi avaliada pelo sindicato como ilegal, por isso não vamos apresentá-la aos associados", afirmou, argumentando que a Vale está sugerindo uma redução salarial acima daquela permitida por lei, de 25%, no máximo.

Até agora, a manifestação ficou circunscrita ao Sindicato Metabase de Itabira, que prepara para o próximo dia 11 ato em frente ao escritório central da Vale, no Rio. Já o Sindicato Metabase de Congonhas e Ouro Preto (Inconfidentes), que também se manifestou contrário à proposta da Vale, disse que só vai promover uma assembleia deliberativa quando a entidade e a mineradora chegarem a um termo comum.

Segundo o diretor-jurídico do Sindicato de Congonhas, Julio Freitas, a entidade quer que a garantia de manutenção dos empregos seja estendida a 31 de novembro, e não 31 de maio. Os trabalhadores querem, também, licença remunerada equivalente a 75% do salário-base. Enquanto isso, o sindicato pretende realizar reuniões ao longo desta semana para avaliar a situação dos metalúrgicos na região.

Para o assessor do Metabase Inconfidentes, Bernardo Lima, muitos trabalhadores acreditam que a adesão à proposta da Vale garantirá estabilidade no emprego, o que não é verdade. "A proposta da Vale dá a entender que haverá garantia de emprego, mas não podemos nos apoiar nisso, até porque os especialistas admitem que a crise seja longa", disse ele.

A Vale preferiu não se pronunciar sobre o manifesto e as posições dos sindicatos. Até agora, 17,8 mil empregados aceitaram os termos da proposta feita pela mineradora, os quais pertencem a oito sindicatos. Outros cinco sindicatos majoritários, os quais reúnem 15,5 mil funcionários, ainda estão avaliando a proposição. Os únicos, até agora, que manifestaram contrariedade foram o Sindicato Metabase de Itabira e o Sindicato Metabase de Congonhas e Ouro Preto (Inconfidentes).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.