RIO - As refinarias de Manaus e Gabriel Passos, em Minas Gerais, e o terminal de distribuição de Cabiúnas, em Macaé, foram as primeiras instalações da Petrobras afetadas pela greve de 48 horas iniciada à meia-noite de hoje pelos 12 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP). Nestas unidades, não houve troca de turno à meia-noite e os funcionários seguem trabalhando desde as 15h de quarta-feira, segundo informações da FUP.

A FUP informou ainda que, na refinaria de Paulínia, no terminal de distribuição de Barueri e nos campos de produção terrestre da Bahia não houve rendição às 7h, enquanto nas refinarias da Bahia (Relam), do Paraná (Repar), de Capuava (Recap) e de Duque de Caxias (Reduc), nos terminais de distribuição da Bahia e de São Mateus (SP), nos campos de produção do Espírito Santo e na fábrica de lubrificantes do Nordeste (Lubnor), os funcionários realizam operação padrão, atrasam em até três horas as rendições e não emitem permissões de trabalho.

A Federação revelou que os funcionários administrativos da sede paulista da Petrobras devem realizar ainda hoje uma manifestação em frente ao prédio da empresa na cidade, enquanto os trabalhadores da fábrica de fertilizantes da Bahia devem interromper as rendições a partir de amanhã.

Os sindicatos filiados à FUP convocaram uma greve de advertência de 48 horas para mobilizar a categoria para a discussão sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Segundo a Federação, caso não haja evolução nas conversas com a empresa, os sindicatos filiados farão assembléias até o dia 25 de julho para avaliar a possibilidade de uma greve a partir de 5 de agosto, desta vez com parada de produção nas unidades da estatal. Só no dia 25, quando o Conselho Consultivo da FUP se reúne, é que se confirmará a paralisação e o possível tempo de duração.

De acordo com o diretor de comunicação da FUP, José Divanilton, a paralisação iniciada hoje significa, na prática, uma união com o movimento iniciado pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), que desde segunda-feira comanda uma paralisação de cinco dias, com parada de produção, nas plataformas da Petrobras na Bacia de Campos. Apesar de a greve ter atingido a maior parte das unidades na região, equipes de contingência da Petrobras mantêm a produção de óleo e gás nos níveis normais.

Ontem, terminou sem acordo a reunião entre representantes do Sindipetro-NF e da Petrobras. Os petroleiros iniciaram a paralisação na segunda-feira com o objetivo de discutir com a estatal a contagem do dia de desembarque da plataforma como dia trabalhado, e não como folga, como é contabilizado atualmente.

"Na prática, a paralisação iniciada hoje é uma unificação de agendas com o pessoal do Norte Fluminense. A rejeição da proposta ontem potencializa as duas causas", acredita Divanilton.

Procurada, a Petrobras informou que não fará comentários adicionais além do divulgado ontem em nota. No documento, a estatal informou que o plano de contingência foi acionado para manter o controle e o funcionamento de suas unidades, assegurando pleno abastecimento do mercado.

A Petrobras apresentou aos sindicatos dos petroleiros de todo o país, no último dia 9, proposta de pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2007. A proposta apresentada obedece ao limite máximo determinado pelos órgãos de controle. A companhia aguarda posicionamento dos trabalhadores sobre a proposta , diz a nota da Petrobras.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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