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No desespero de desovar seus estoques, que continuam elevados, as quatro maiores montadoras do País promovem, pela primeira vez em um mesmo fim de semana, feirões simultâneos em áreas nobres da cidade de São Paulo, além de ações na rede nacional de revendas. Montadoras e concessionários encerraram outubro com quase 300 mil veículos novos em estoque, suficientes para 38 dias de vendas - o normal seria ter estoque para no máximo 25 dias.

Para piorar o quadro, em novembro foram vendidos apenas 177,8 mil veículos, o menor volume mensal desde fevereiro de 2007, com queda de 25,7% em relação a outubro e de 25% na comparação com novembro do ano passado. Ou seja, incluída a produção de novembro, o estoque das montadoras deve ter crescido ainda mais.

O feirão da Volkswagen será realizado na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O da Fiat, no estacionamento da Ceasa, na zona oeste da capital paulista. A General Motors vai ocupar o Campo de Marte e a Ford o terreno ao lado do Playcenter, na Marginal do Tietê, ambos na zona norte da cidade. Já a Renault optou por montar estande de vendas na Super Casas Bahia, também na zona norte.

Segundo Rodrigo Rumi, gerente regional de vendas da General Motors, só o feirão do Campo de Marte terá 2 mil carros novos e usados expostos, mas as promoções se estendem para cerca de 10 mil veículos que estarão à disposição dos consumidores. Segundo ele, o feirão da semana passada recebeu cerca de 25 mil visitantes só no domingo.

Entre as cinco principais montadoras brasileiras, a GM foi a que registrou maior queda de vendas de automóveis e comerciais leves em novembro na comparação com outubro, de 32,5%. As vendas da Renault caíram 31,4%. Volkswagen e Fiat registraram queda de 23,8% e de 23,6%, respectivamente, e a Ford, de 29,4%.

A GM tem entre as ofertas deste fim de semana os modelos Celta e Prisma com 20% de entrada e 60 prestações com juros mensais de 1,4% a 1,5%. Na Ford, há planos com zero de entrada e financiamento em até 60 meses para todos os modelos da marca, mas a entrada é salgada, de aproximadamente metade do valor do veículo.

Com o corte na produção de carros neste fim de ano e as incertezas para o mercado em 2009, a cadeia automotiva já iniciou demissões. Nesta semana, a Volvo, fabricante de caminhões em Curitiba (PR) demitiu 430 funcionários, de um total de 2,8 mil empregados, parte deles com contratos temporários. Todas as montadoras vão dar férias coletivas neste fim de ano, a maioria por prazos mais longos que nos anos anteriores.

A indústria de autopeças demitiu 700 funcionários em outubro e prevê mais 7,5 mil cortes até o fim do ano, incluindo novembro. O setor prevê encerrar o ano com um total de 223,7 mil trabalhadores, quadro ainda assim 3,2% maior que o de 2007, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

Ontem, foi a vez do grupo Itavema, maior rede de concessionárias do País, com mais de 60 lojas de automóveis e motocicletas, anunciar uma reestruturação com o corte de mais de 200 funcionários, muitos deles da área de vendas e outros da gerência administrativa das lojas. Entre revendas de carros e motos, o grupo emprega 4 mil pessoas.