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FT: tese de descolamento do Brasil se mostra incorreta

A visão de descolamento do mercado de capitais brasileiro do restante do mundo está se mostrando incorreta, conforme reportagem de hoje do Financial Times. Para o jornal britânico, a tese foi arrasada nos últimos meses, tendo em vista o comportamento da bolsa e do câmbio.

Agência Estado |

A publicação lembra que o dólar estava em R$ 1,56 em maio e chegou a bater a máxima de R$ 2,50 durante o dia na última quinzena. O Ibovespa caiu abaixo dos 30 mil pontos pela primeira vez em três anos, perda de mais de 60% em relação ao pico de 73 mil pontos obtido em maio.

Ontem, o mercado brasileiro disparou com o restante do mundo, na expectativa de corte de juros nos EUA. "É uma montanha-russa", afirmou ao FT Dany Rappaport, da gestora Investport. "O movimento é todo baseado no que vem de fora mais alguns fatores locais, como a queda do preço das commodities."

O jornal reconhece que o Brasil está hoje em posição muito mais forte para enfrentar a crise do que durante as turbulências ocorridas na Ásia e na Rússia na década de 1990. "Muito coisa mudou deste então", afirma a publicação, citando o acúmulo de US$ 200 bilhões em reservas internacionais e o fato de o País ser atualmente credor externo.

No entanto, o FT avalia que a retomada do mercado de capitais, hoje muito mais integrado ao restante do mundo, está entre as reformas que produziram o ambiente de maior resiliência. Durante o boom dos IPOs (lançamentos de ações) nos últimos anos, 70% dos recursos vieram dos estrangeiros.

"Enquanto a crise vai se desenvolvendo, os investidores correm para a porta de saída", afirma o jornal, lembrando que a retirada de recursos externos da Bovespa soma cerca de R$ 23,5 bilhões desde junho.

"Todo mundo sabe que os preços estão baixos e alguns se arriscam a comprar um pouco, mas é muito difícil saber o piso", diz Tomás Awad, estrategista da Itaú Corretora, em entrevista ao FT.

Para o jornal, o governo está agindo rapidamente para aliviar os temores com a crise e adotando várias medidas com o objetivo de fornecer liquidez ao sistema. Entre elas estão os leilões de swap cambial promovidos pelo Banco Central, a permissão para que bancos estatais comprem ações de instituições privadas e a concessão de empréstimos a empresas, a condições de mercado.

"Por que ele está sendo tão proativo?", questiona o FT. Conforme a analista Lia da Graça, do BanifInvest, o governo fará todo o possível para manter a sua credibilidade.

Para o jornal britânico, no entanto, o sentimento do investidor está atualmente à mercê de fatores de vão além do controle do governo, o que é preocupante.

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