A habilidade do Brasil para escapar da crise global é questionada hoje em reportagem do Financial Times. O jornal britânico analisa as perspectivas para os países emergentes diante da desaceleração das economias desenvolvidas, com destaque para a situação brasileira, já que uma foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupa a capa da edição desta sexta-feira.

Apesar de reconhecer diversos progressos feitos pelo País nos últimos anos, que o deixam em melhor situação para enfrentar a turbulência externa, a publicação coloca em xeque a possibilidade de manutenção de crescimento econômico vigoroso. "Um Brasil mais robusto pode ficar sujeito à penalidade por falta de ação", diz o título da reportagem.

Conforme o FT, entre 1994 e 1999, o País "desistiu de tentar achar soluções mágicas para seu problema crônico de inflação descontrolada e adotou a ortodoxia".

Baseada no tripé do câmbio flutuante, metas de inflação e superávit fiscal, a estratégia trouxe uma série de resultados: a consolidação da estabilidade, a formação de reservas internacionais de US$ 200 bilhões, o status de credor externo líquido, o grau de investimento e o período de crescimento econômico. "Certamente, então, o Brasil deve estar bem posicionado para enfrentar a desaceleração global?", questiona o FT.

Como resposta, o jornal apresenta a opinião negativa de dois economistas consultados. Para Walter Molano, do BCP Securities, o governo agora pagará o preço por não ter feito nada para modernizar a infra-estrutura. Ele também menciona problemas nas áreas de saúde, educação e segurança. "Não há como o Brasil se esconder (da retração no exterior)."

A reportagem não menciona as recentes descobertas de petróleo feitas no País nem seu potencial impacto sobre o desempenho da economia.

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