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Frota cresce 8,5%, mas lei seca faz mortes caírem 3,7%

O Brasil fechará 2008 com uma frota de 54 milhões de veículos, 8,5% a mais do que 2007, mas apesar da circulação recorde, o número de mortes nas estradas federais caiu 3,7%. O índice de letalidade também baixou: em 2007, morria uma pessoa em cada 21 acidentes e agora a relação é de uma morte a cada 25 acidentes.

Agência Estado |

Para a Polícia Rodoviária Federal só há uma explicação: a entrada em cena da lei seca, que proíbe o motorista de dirigir após ingerir qualquer porção de bebida alcoólica. No total, 5.981 pessoas foram autuadas com base na Lei 11.705, que proíbe o uso de álcool ao volante.

Os dados constam do balanço dos acidentes nas rodovias federais, divulgado ontem pelo Ministério da Justiça. O número de acidentes aumentou 10%, passando de 116 mil para 127 mil, enquanto o de feridos subiu 4,5%, passando de 70 mil para 73 mil. "Os dados mostram uma avanço nas políticas públicas, mas estamos longe de comemorar a conquista de um trânsito civilizado", constatou o diretor-geral do órgão, inspetor Hélio Derenne.

O balanço também mostra que é longo o caminho a percorrer. Pesquisa divulgada pelo órgão revela que 52% dos brasileiros beberam no ano passado e 46% deles dirigiram a seguir - 3% admitiram ter feito uso nocivo do álcool, com grave risco ao trânsito. Os números assustam: Nos primeiros 180 dias de vigência da lei, foram efetuadas 3.881prisões em flagrante de motoristas bêbados. Outros 2,1 mil se recusaram a fazer o teste do bafômetro, apesar dos sinais visíveis de alcoolismo. Todos eles estão sujeitos à suspensão da carteira de habilitação.

No total, 5.981 pessoas foram autuadas com base na Lei 11.705, que proíbe o uso de álcool ao volante. A ingestão de bebidas causou situações absurdas. Um caminhoneiro envolvido em acidente na BR-262, em Minas, estava com 1,93 g de álcool/litro de ar, quantidade 19 vezes maior que o permitido pela lei. Nas BRs 163 e 060, outros dois condutores também foram apanhados com teor 20 vezes maior que o permitido. Um deles precisou ser encaminhado ao posto de saúde quase em coma alcoólico.

Para reforçar a repressão a motoristas que insistem em dirigir alcoolizados, o Ministério da Justiça doou 10 mil bafômetros aos governos estaduais neste fim de ano. Nos 61 mil quilômetros de rodovias federais, os policiais também captaram 899 mil flagrantes de excesso de velocidade até novembro nas imagens de radares. A previsão é que o número deve passar de um milhão até o final do ano. Por dia, são verificados nada menos que 2.683 casos, ou quase dois registros por minuto nas rodovias. Entre multas eletrônicas e manuais, foram quase 2,5 milhões de pessoas flagradas descumprindo as regras de trânsito e de civilidade no País, conforme o balanço da PRF.

Nos principais corredores viários brasileiros, foram várias as demonstrações de desrespeito aos limites de velocidade. Em São Paulo, um veículo foi fotografado pela lente do radar a 163 km/h na Rodovia Presidente Dutra. Houve ainda o curioso registro de um velho Chevette, fora de linha e com 29 anos de fabricação, flagrado a 155 quilômetros por hora no lado carioca da Dutra.

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