Em novembro de 1996, Fernando Henrique Cardoso fez a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro à ¿?frica do Sul. Foi recebido pelo então presidente Nelson Mandela, símbolo da luta contra a segregação racial imposta pelo regime do apartheid.

Em novembro de 1996, Fernando Henrique Cardoso fez a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro à ¿?frica do Sul. Foi recebido pelo então presidente Nelson Mandela, símbolo da luta contra a segregação racial imposta pelo regime do apartheid. Na ocasião, FHC falou no "nascimento de uma nova nação" e na "perspectiva de um futuro luminoso entre os países em desenvolvimento". Quatorze anos depois, tanto Brasil quanto ¿?frica do Sul se firmaram como lideranças emergentes, consolidando suas democracias e estreitando laços de cooperação. Para os dois, o futuro chegou. ¿?frica e ¿?frica do Sul são dois nomes que se misturam e se confundem - daí o fato de ser praticamente impossível falar do país meridional sem mencionar o continente. "A ¿?frica do Sul é o espelho da ¿?frica. Se ela vai bem, a ¿?frica segue o mesmo caminho", diz o professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) José Flávio Sombra Saraiva. Ele destaca a democratização, as ações de inclusão social e a influente política externa como avanços obtidos pelos governos sul-africanos. Na opinião de Saraiva, a aproximação brasileira com o continente acompanha um movimento global. Os chineses, para sustentar seu gigantismo, necessitam das reservas de matérias-primas abundantes na região. Os americanos, analisa o professor, mantiveram certa atenção no continente, apesar da agenda internacional voltada ao combate ao terrorismo. O interesse da diplomacia brasileira, por sua vez, remonta aos anos 1960. As relações entre Brasil e ¿?frica do Sul se intensificaram com o fim do regime do apartheid, alvo de sanções das Nações Unidas que tornaram o país um pária internacional. Hoje, o cenário é outro. "O Brasil possui uma fronteira de paz na América do Sul e uma saída importante para o Atlântico, um mar pacífico, que não é alvo de disputas atômicas. Abandonar a fronteira atlântica seria romper com a tradição brasileira de buscar o entendimento de suas margens", afirma o professor. Assim como o Brasil, a ¿?frica do Sul tem buscado uma política diversificada de parceiros - inclusive com iranianos, os maiores fornecedores de petróleo do país. "Para nós, o Brasil é muito importante em termos políticos, econômicos e culturais", diz o diplomata Simon Marobe, primeiro secretário da Embaixada da ¿?frica do Sul em Brasília. "O Brasil tem um papel internacional muito forte e queremos aumentar ainda mais nossas relações." Em abril passado, o fórum Ibas - grupo que reúne na mesma sigla Brasil, ¿?frica do Sul e ¿?ndia - realizou cúpula em Brasília. No documento final, defendeu uma reforma das Nações Unidas, se manifestando pela ampliação no número de assentos permanentes e provisórios no Conselho de Segurança, aumentando a participação dos países em desenvolvimento. Os três países ainda unificaram posições na rodada Doha e estabeleceram acordos, como o desenvolvimento de satélites. O Brasil encontrou na ¿?frica do Sul um parceiro para agir em escala global. "São países com identidades reforçadas na política externa, duas potências econômicas emergentes, com padrão similar de ação na OMC e na ONU, além de demandas próximas", diz o professor. Para ele, o Ibas está sendo marcado por pragmatismo e busca de uma agenda comum - um alinhamento diplomático nas rodadas de negociações comerciais, não se restringindo a uma retórica sem frutos. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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