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Na Commissioner Street, centro financeiro de Johannesburgo, é possível ver o novo sistema de corredores de ônibus da capital econômica sul-africana, parecido com o de Curitiba, em funcionamento: estações com design moderno e ônibus Marcopolo reluzentes. Até o nome da empresa suscita entusiasmo: "Rea Vaya", que significa "vamos lá!" em zulu, um dos idiomas nativos mais falados no país.

Na Commissioner Street, centro financeiro de Johannesburgo, é possível ver o novo sistema de corredores de ônibus da capital econômica sul-africana, parecido com o de Curitiba, em funcionamento: estações com design moderno e ônibus Marcopolo reluzentes. Até o nome da empresa suscita entusiasmo: "Rea Vaya", que significa "vamos lá!" em zulu, um dos idiomas nativos mais falados no país. Os passageiros que sobem e descem dos coletivos, modernos e confortáveis, parecem satisfeitos. Mas, na antevéspera da Copa, apenas 50 dos 143 ônibus da primeira fase estão rodando. Os demais estão bloqueados há quase um ano por um duro conflito com os donos do transporte coletivo da região metropolitana de Johannesburgo: 100 mil perueiros, que transportam 14 milhões de pessoas por dia. Para impedir a plena implantação do sistema, os perueiros já incendiaram alguns ônibus, atiraram contra outros e chegaram a matar um motorista para intimidar os demais. A brasileira Logit, empresa de consultoria paulista que atua na área de transportes, foi a principal responsável pelo projeto do BRT sul-africano, semelhante ao BRT "Transmilênio" que implantou em Bogotá e ao "Macrobus", no México. O trabalho da empresa inclui o planejamento do sistema, o modelo de negócio e a arquitetura de financiamento mas não a negociação política. "A integração obtida a nível nacional na política e na economia da África do Sul ainda não chegou ao transporte público", disse o engenheiro Wagner Colombini, presidente da Logit. Na verdade, o setor é sensível desde sempre o regime racista do apartheid ignorou o transporte de massa para dificultar a mobilidade da população negra. Como no passado as poucas empresas de ônibus eram propriedade de brancos, os perueiros hoje brandem argumentos ideológicos para se recusarem a dirigir ônibus em vez de vans. A proposta do governo, para quem é proprietário da própria perua, é se tornar empregado e acionista da empresa Rea Vaya. Para os que trabalham para terceiros, seria garantido um emprego com melhor salário e horário de trabalho mais humano alguns perueiros dirigem até 15 horas por dia.

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