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O Ministro da Indústria e Comércio da ¿?frica do Sul, o economista e ex-professor universitário Rob Davies, 62 anos, é membro da ala esquerda do partido da maioria negra, Congresso Nacional Africano. Fala português com sotaque lusitano, que aprendeu nos 12 anos que viveu exilado em Moçambique, durante o apartheid.

O Ministro da Indústria e Comércio da ¿?frica do Sul, o economista e ex-professor universitário Rob Davies, 62 anos, é membro da ala esquerda do partido da maioria negra, Congresso Nacional Africano. Fala português com sotaque lusitano, que aprendeu nos 12 anos que viveu exilado em Moçambique, durante o apartheid. Davies faz intenso trabalho pelo comércio e cooperação Sul-Sul, e diz que crescimento da classe média negra cria novas oportunidades para investimentos brasileiros. <b>O que impede que as afinidades entre as economias do Brasil e da ¿?frica do Sul se traduzam em mais negócios entre eles?</b> Há similaridades, apesar de a economia e a população do Brasil serem quatro vezes maiores do que a sul-africana, e temos desafios parecidos para o desenvolvimento industrial e econômico. O intercâmbio vem crescendo mais rapidamente com o Brasil e países do Sul do que com o resto do mundo. Infelizmente, o grosso dessas trocas ainda é de matérias-primas. Estamos trabalhando na identificação de complementaridades e setores capazes de expandir as trocas entre os países, como o de componentes para a indústria automobilística. <b>Os investimentos diretos brasileiros na ¿?frica do Sul são ainda tímidos se comparados a Angola, por exemplo. Há algo sendo feito para reverter essa tendência?</b> Os investimentos também crescem. Novos projetos mostram que o caminho passa por joint-ventures capazes de fomentar atividades produtivas. <b>O que as empresas brasileiras podem oferecer à ¿?frica do Sul?</b> Nossa política industrial identificou setores-chave para receber investimentos. Entre esses, o de infraestrutura, equipamentos de telecomunicações, transportes e logística. Também damos ênfase à chamada tecnologia verde, às soluções voltadas ao desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como nosso programa de biocombustíveis. E incentivamos também áreas como a agroindústria, o setor automobilístico, a indústria química. Como se vê, existem muitas oportunidades para investidores brasileiros. <b>O apartheid acabou há 20 anos, mas tensões raciais ainda persistem. O recente assassinato de um dirigente nacionalista branco causou inquietação política. Episódios assim não afetam o ambiente de negócios?</b> Esse crime não foi resultado de tensão racial mas de um conflito trabalhista numa determinada fazenda. O que o mundo verá em breve, quando sediarmos a Copa do Mundo, é que temos, sim, desigualdade e pobreza, mas nosso governo trabalha para acelerar o desenvolvimento, gerar empregos e diminuir o contingente de miseráveis. Todos verão que somos um país plenamente democrático e com alto nível de estabilidade. <b>Os investimentos sociais fazem emergir uma nova classe média entre os negros. Esse fenômeno cria um mercado mais atraente para os investidores?</b> O programa de inclusão racial, o Broad Based Black Economic Empowerment, tem o objetivo de aumentar a participação na economia dos negros que historicamente viveram em desvantagem. A ascensão de muitos deles para a classe média tem contribuído para o crescimento da indústria, sobretudo a de bens de consumo duráveis, como carros. Isso é importante, mas é preciso melhorar o padrão de vida das parcelas mais miseráveis de nossa sociedade. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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