A forte queda de 14,5% na produção industrial brasileira em dezembro, em relação ao mesmo mês do ano passado, forçou economistas a reduzir ainda mais as estimativas de queda do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre do ano passado e a previsão para 2009. As projeções foram reduzidas entre 0,2 e 0,3 ponto porcentual, levando à nova expectativa de que a economia encolha de 2% a 2,3% no período.

A economista da consultoria Tendências Marcela Prada aumentou a sua projeção de queda no PIB do quarto trimestre ante o terceiro trimestre de 2% para 2,3%. "Com isso, diminuímos nossa previsão para a expansão do PIB nacional em 2008 de 5,3% para 5,2%", acrescenta.

Revisão para baixo também foi feita pela economista da Mauá Investimentos Cassiana Fernandez. A analista reviu as projeções para o PIB do quarto trimestre de 2008 de queda de 1,8% para queda de 2%. "Está ocorrendo um choque de demanda e isso é realmente algo sem precedentes", avalia.

A Gradual Investimentos prevê queda mais brusca para o PIB no quarto trimestre de 2008, passando de 1,6% para 2,5%. "Os números da produção industrial são bem piores que as estimativas de mercado, o que deve forçar uma revisão generalizada", preveem os analistas da instituição.

A escassez de crédito ao consumidor é apontada pelo economista e ex-secretário de Política Econômica Julio Gomes de Almeida como um dos fatores de incertezas para a economia em 2009. Almeida atribui a queda da produção industrial em dezembro a uma "overdose no ajuste da produção à demanda" por parte dos empresários. O setor exagerou no corte de produção que deveria ser feito para se adequar à retração da demanda internacional.

"Depois de dois meses de queda expressiva, a atividade industrial caiu ainda mais em dezembro. Foi mais forte do que o previsto. Agora, a expectativa é de que o PIB caia 1,8% no último trimestral do ano", analisa Aurélio Bicalho, economista do Itaú.

Os números de janeiro devem ser ruins, com aumento do desemprego no Brasil por conta da retração da atividade industrial. Ainda assim, Bicalho espera por um crescimento do PIB em 2009. "A desaceleração econômica é mundial. Por isso, não é tão ruim um crescimento próximo do que se espera para o resto do mundo", opina.

Marianna de Oliveira Costa, economista-chefe da Link Investimentos, ficou decepcionada com os dados da produção industrial, "Houve uma parada brusca no fim do ano por conta da queda das exportações e da retração de setores como o automobilístico. Não tem como isso não contaminar os números de 2009, porque partiremos de uma base muito fraca", avalia Marianna.

Pelas contas da economista, o PIB em 2009 deve crescer, na melhor das hipóteses, 2%. Como os primeiros meses do ano deverão ser de retração, Marianna prevê que o País só deverá ver uma aceleração na economia novamente a partir do segundo semestre, mas ainda assim com bastante parcimônia. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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