SÃO PAULO - Se o início da temporada de balanços nos Estados Unidos animou os investidores e incentivou as compras nas bolsas, a acusação de fraude financeira contra o Goldman Sachs trouxe incertezas para o caminho. Nesta sexta-feira, a instituição e um dos seus vice-presidentes foram acusados pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) de fraude civil. A SEC alega que o banco vendeu títulos complexos de hipotecas subprime e falhou na apresentação aos investidores quanto ao fato de que um grande fundo de hedge apostou contra os títulos. A contestação do Goldman de nada adiantou, já que os estragos nos mercados foram imediatos.

SÃO PAULO - Se o início da temporada de balanços nos Estados Unidos animou os investidores e incentivou as compras nas bolsas, a acusação de fraude financeira contra o Goldman Sachs trouxe incertezas para o caminho. Nesta sexta-feira, a instituição e um dos seus vice-presidentes foram acusados pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) de fraude civil. A SEC alega que o banco vendeu títulos complexos de hipotecas subprime e falhou na apresentação aos investidores quanto ao fato de que um grande fundo de hedge apostou contra os títulos. A contestação do Goldman de nada adiantou, já que os estragos nos mercados foram imediatos. Por aqui, o Ibovespa recuou 1,56%, aos 69.421 pontos, na menor pontuação desde o dia de 26 março (68.682 pontos). O giro financeiro atingiu R$ 7,698 bilhões. Na segunda-feira, acontece o vencimento de opções sobre ações. E após duas semanas de ganhos, o índice voltou a acumular queda nos últimos cinco dias, de 2,79%. No mês, o Ibovespa já recuou 1,35% e, no ano, avançou 1,21%. "O que passou na cabeça dos investidores é até que ponto outras instituições não fizeram o mesmo que o Goldman Sachs, se elas não maquiaram os balanços. A queda dos mercados foi forte. A última coisa que o mercado queria ouvir era isso e os investidores aproveitaram para realizar os lucros", comentou o operador da Um Investimentos, Eduardo Oliveira. Nos EUA, após seis altas consecutivas, o índice Dow Jones caiu 1,13%, aos 11.018,66 pontos, enquanto o Nasdaq teve queda de 1,37%, aos 2.481,26 pontos, e o S & P 500 recuou 1,61%, aos 1.192,13 pontos. Na semana, o Dow Jones subiu 0,19%, o Nasdaq avançou 1,11% e o S & P 500 teve perdas de 0,19%. A notícia do Goldman Sachs ofuscou a divulgação dos balanços trimestrais do Google, da General Eletric (GE) e do Bank Of America (BofA), além dos dados positivos do mercado imobiliário americano em março. No ambiente doméstico, a queda das commodities ainda exerceu impacto negativo no preço das blue chips. Os papéis da Petrobras giraram R$ 1,625 bilhão, e recuaram 1,93%, a R$ 32,95, e as ações PNA da Vale perderam 1,23%, a R$ 50,57, e movimentaram R$ 1,366 bilhão. Apenas sete ações do Ibovespa encerraram a jornada no campo positivo. O destaque ficou com o setor elétrico. Os papéis ON e PNB da Eletrobras avançaram 1,12% e 0,98%, respectivamente a R$ 25,28 e a R$ 30,9. Já as ações PNB da Eletropaulo subiram 0,67%, para R$ 38,6, e os papéis PN da Cteep tiveram alta de 0,64%, a R$ 47. Entre as notícias analisadas pelos agentes esteve a declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que apontou a necessidade de desonerar as empresas do setor elétrico, como forma de baratear os custos da cadeia produtiva com energia. "Em algum momento vamos ter que verificar como fazer para desonerar (o setor)", afirmou Mantega, que ressaltou, entretanto, que o governo federal não pode trabalhar sozinho nesse sentido, dado que os maiores tributos no setor se concentram na esfera estadual. Além disso, o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte seguiu no foco das atenções. Hoje, o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Jirair Aram Meguerian, cassou a liminar que suspendia o leilão e imediatamente a Aneel retomou o processo. Também figuraram entre as maiores altas as units da ALL, com ganhos de 1,17%, a R$ 15,48, e os papéis ON da OGX Petróleo, com apreciação de 0,94%, a R$ 18,11. A empresa confirmou ontem que pretende vender uma parcela da companhia. O empresário Eike Batista já havia dito que pretendia se desfazer de uma fatia e, com isso, distribuir valor aos acionistas. Fora do principal índice da bolsa brasileira, as ações ON da estreante Mills Estruturas e Serviços de Engenharia, empresa que presta serviços para o setor de construção, avançaram 1,21%, para R$ 11,64, no primeiro dia de negociações. Na ponta vendedora do Ibovespa apareceram os papéis PN da TAM, que caíram 3,39%, a R$ 32,17, as ações ON da LLX, com baixa de 3,24%, a R$ 8,34, e TIM Participações ON, com recuo de 3,22%, a R$ 6,3. (Beatriz Cutait | Valor)
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