O primeiro-ministro francês, François Fillon, divulgou em detalhes nesta segunda-feira seu plano de reativação da economia, mas admitiu que a medida pode não ser suficiente para evitar a recessão e o aumento do desemprego. O fundo terá 26 bilhões de euros em caixa.

Acompanhado de 18 ministros e secretários de Estado, Fillon viajou em um trem de alta velocidade, que foi chamado de "trem da reativação", da capital francesa até Lyon (centro-leste do país), onde deveria presidir um comitê interministerial.

Na sede do governo civil, rodeado por um imponente dispositivo policial para manter à distância 500 manifestantes, Fillon apresentou o fundo de "26 bilhões de euros votado pelo parlamento para dinamizar as atividades".

Este plano de reativação baseado em investimentos representa para o primeiro-ministro uma resposta às dúvidas, aos temores e aos questionamentos feitos quinta-feira passada nas manifestações realizadas em toda a França.

Mais de dois milhões e meio de manifestantes, segundo os sindicatos, pouco mais de um milhão, para a polícia, manifestaram quinta-feira nas ruas contra a política do governo de Nicolas Sarkozy para enfrentar a crise.

Mais de um terço do fundo anunciado por Fillon (11,5 bilhões) servirá para a tesouraria das empresas em dificuldades.

O Estado também considerou 1.000 projetos já programados, que serão antecipados mediante a injeção "a partir desta semana" de 10,5 bilhões de fundos estatais e mais de 4 bilhões investidos por empresas públicas.

Concretamente, 870 milhão de euros serão destinados a 149 obras de infraestrutura de transporte, 731 milhões de euros ao ensino superior e pesquisa e 620 milhões a renovação do patrimônio.

No entanto, estes créditos novos, que pesarão no orçamento do Estado, não livrarão a França do desaquecimento econômico mundial, admitiu Fillon.

Anteriormente, a ministra da economia, Christine Lagarde, afirmou que duvida muito que haja crescimento positivo na França em 2009, destacando que espera dados muito ruins para o quarto trimestre de 2008, com uma queda "nunca vista" da produção industrial.

Neste contexto de crise da indústria, somente no mês de dezembro passado, 45.000 pessoas entraram para a lista francesa de desempregados.

No entanto, Fillon descartou outra resposta à crise, dizendo que as críticas, inclusive as que vêm de seu próprio campo político, não fazem sentido.

O primeiro-ministro considerou também "irresponsável" a proposta da oposição de reativar a economia através do consumo.

Sobre a possibilidade de a França ser considerada atualmente como "em quebra", o primeiro-ministro francês destacou que se tratava de uma "palavra exagerada" e que o país está em "uma situação muito melhor que a de outros países europeus".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.