Paris, 18 jul (EFE) - O ministro de Ecologia francês, Jean-Louis Borloo, prometeu hoje uma revisão total das práticas de segurança nas instalações nucleares após admitir dois vazamentos em duas usinas, das quais os responsáveis afirmam que não têm conseqüências para a saúde ou para o meio ambiente.

Borloo afirmou em entrevista coletiva que serão passados pelo filtro, até o final do ano, "os dispositivos de informação, de análise e de segurança", para o que os responsáveis industriais, militares, operadores e associações ecologistas serão ouvidos.

"Quero assegurar aos franceses que, desde que se detecte um incidente, haja informação, se avise às autoridades", afirmou.

O titular de Ecologia teve que comparecer perante a imprensa poucas horas depois que a Autoridade de Segurança Nuclear (ASN) informou de um vazamento de urânio do complexo de combustíveis de Romans-sur-Isère que ocorria há anos pela ruptura de uma canalização em um depósito de material atômico de uso militar.

Três inspetores da ASN estiveram hoje nas instalações de Romans-sur-Isère, onde, na quinta-feira à noite, fizeram uma inspeção e revelaram a ruptura dessa canalização enterrada, e o organismo de controle indicou que a companhia estatal Areva devia iniciar a descontaminação de toda a zona e retirar o material.

O presidente do laboratório independente de vigilância radiológica CRIIRAD, Roland Desbordes, que participou hoje de uma reunião convocada pelas autoridades em Valence, reconheceu que os fatos de Romans-sur-Isère, "a priori, são menos graves que os ocorridos em Tricastin".

Ele se referia ao vazamento de urânio que ocorreu no dia 7 de julho nas instalações de uma empresa, filial da gigante Areva, que trabalha no complexo da usina nuclear de Tricastin.

O problema em Tricastin, além do vazamento e da contaminação detectada em várias camadas freáticas das zonas limítrofes do complexo, é que a empresa, Socatri, só informou do acidente horas depois que esse aconteceu.

A gestão do incidente custou o cargo ao diretor-geral da Socatri, e hoje a presidente da Areva, Anne Lauvergeon, pretendia se deslocar às instalações para dar informações.

Desbordes disse se sentir, "em parte", satisfeito pela reunião à qual foi convidado a participar hoje em Valence sobre os dois episódios.

Ele contou à emissora "France Info" que a origem do vazamento de Romans-sur-Isère são 770 toneladas de resíduos que serviram para fabricar as primeiras bombas atômicas e que, desde há alguns anos, foram assumidos pela Areva.

O especialista independente criticou que, até agora, a Areva tinha rejeitado que esses materiais representassem problemas, e pediu à empresa estatal que os retire de onde estão para evitar que sigam poluindo, algo que, em sua opinião, é possível e que, além disso, a companhia pôde assumir devido à sua solidez financeira.

As revelações sobre os acidentes podem ter conseqüências políticas em um momento em que o Governo francês cogita reativar o programa nuclear, com a possível construção de uma segunda usina de tecnologia EPR, além da que está sendo erguida no litoral de Normandia.

Além disso, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, assinou acordos com vários países aos quais poderia ser vendida a tecnologia francesa para a implementação de usinas nucleares de uso civil para a produção de energia. EFE ac/db

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