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França lança plano de 375 bilhões de euros

Diante das evidências da chegada da recessão, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou ontem, em Annecy, perto da Suíça, as grandes linhas de seu plano de relançamento da economia. Além da desoneração de impostos sobre produtos industriais, o chefe de Estado confirmou a criação do Fundo Estratégico de Investimentos, um fundo soberano destinado a impulsionar o capital de empresas cujos títulos se desvalorizaram em excesso em decorrência da crise internacional.

Agência Estado |

As reservas desse fundo podem chegar a 200 bilhões. Esse montante ainda se somará a mais 175 bilhões do Plano Plurianual, que serão investidos entre 2009 e 2012 nas áreas de defesa, transportes, energia, ensino superior e pesquisa.

Medidas do pacote já vinham sendo divulgadas pelo primeiro-ministro, François Fillon, desde o início da semana, quando os seis maiores bancos receberam o aporte de 10,5 bilhões para equilibrar seus orçamentos e reabastecer o mercado com crédito. Pequenas, médias e microempresas e construtoras também já haviam sido beneficiadas.

Entretanto, as medidas de maior impacto estudadas pelo governo foram mantidas em sigilo até ontem, quando do discurso do presidente em Annecy. Durante 40 minutos, Sarkozy lembrou os seus compatriotas da gravidade da crise financeira internacional, voltou a defender a "refundação do capitalismo" e disse acreditar que a turbulência nos mercados financeiros marcará o "retorno do político" ao centro de decisões.

"A ideologia que culminou na ditadura dos mercados onipotentes e do poder público impotente morreu", afirmou. "As finanças devem estar a serviço da produção, dos empreendedores e da sociedade e não delas mesmas."

A prova de que Sarkozy levou o discurso a sério foram os anúncios subseqüentes. O Plano Plurianual de Investimentos do país será alterado e, entre 2009 e 2012, 175 bilhões serão investidos em pesquisa científica, educação superior e projetos nas áreas de defesa, energia e transportes. Apenas para universalizar o serviço de internet banda larga na França o governo planeja gastar 30 bilhões nos próximos três anos.

O presidente ainda anunciou a isenção do Imposto Profissional, uma das quatro grandes taxas do país, para empresas que anunciarem novos investimentos até 31 de dezembro de 2010. A renúncia fiscal, de acordo com o próprio presidente, chegará a 1 bilhão. "Nossa resposta à crise será o investimento maciço em nossa economia", justificou.

A medida mais espetacular, porém, foi a criação do Fundo Estratégico de Investimentos. Havia 10 dias o governo francês articulava com o Reino Unido e a Alemanha a criação de fundos soberanos para o relançamento da economia européia. Na falta de um acordo, Sarkozy se antecipou. "O que os países produtores de petróleo, os russos e os chineses fazem para fomentar suas economias não temos nenhuma razão para não fazer em proveito de nossa indústria", disse.

Esse fundo soberano vai se inspirar em ações de intervenção no capital de empresas que tenham sido excessivamente desvalorizadas nas bolsas de valores em meio à crise financeira. O governo da França entende que o momento favorece a ação de fundos soberanos de outros países e de hedge funds que compram empresas em dificuldades financeiras. Há quatro anos, a fabricante de trens de alta velocidade Alstom foi salva da falência pelo então ministro da Economia, Nicolas Sarkozy, em uma operação semelhante à idealizada pelo governo atual.

"Nós tomaremos uma participação temporária no capital das empresas e lucraremos ao revender as ações em um momento mais propício de mercado", explicou o presidente francês.

Segundo Sarkozy, o déficit público francês, que em 2007 alcançou 50,3 bilhões - 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do tolerável pelo Tratado de Maastricht - não explodirá as finanças do Estado. "As dívidas não aumentarão o déficit porque vão aumentar a participação do Estado no capital das empresas", sustentou o presidente, pedindo uma "gestão ativa e mais agressiva" dos administradores do Tesouro. Pelos planos do governo francês, o fundo se tornará operacional até o fim do ano.

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