O governo francês anunciou ontem, em Paris, a disposição de investir de 5 bilhões a 6 bilhões no socorro à indústria automobilística do país, formada pelas gigantes Renault e PSA Peugeot Citroën. Em contrapartida, as companhias que aderirem ao plano terão de se comprometer a não fechar indústrias no país, mantendo um nível de produção mínimo, ainda não definido.

O projeto foi apresentado na sede do Ministério da Economia a 500 convidados, entre membros do governo, executivos do setor automobilístico e sindicalistas, durante a abertura de uma "assembleia-geral", um fórum de debates destinado a reformar o setor. Em seu pronunciamento, o primeiro-ministro François Fillon foi direto ao assunto: "Nosso esforço de auxílio à indústria automobilística será maciço. De quanto falamos? De 5 bilhões a 6 bilhões."

O governo francês também se comprometeu a flexibilizar o acesso das montadoras aos mecanismos de financiamento público e a enviar, até fevereiro, o plano detalhado para a Comissão Europeia, que terá de autorizá-lo. Entre as contrapartidas, o governo vai exigir também medidas de controle sobre a remuneração de executivos e sobre o pagamento de dividendos a acionistas.

A resposta das montadoras veio no próprio evento. De acordo com o brasileiro Carlos Ghosn, diretor-presidente da Renault, o grupo está pronto a aceitar a proposta. Para Ghosn, o auxílio pode ser crucial para atravessar a turbulência que atinge o setor. "O fundo ainda está por vir e a crise não terá curta duração. Os anos de 2009 e 2010 serão difíceis, senão decisivos, para a indústria."

Já o grupo PSA Peugeot Citroën não confirmou se aceita as condições propostas pelo governo. Segundo Christian Streiff, presidente do grupo, a companhia quer guardar seu capital, sua independência e sua liberdade de ação intactos.

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