Paris, 15 set (EFE).- Apesar dos protestos dos sindicatos e da reticência dos opositores, a Assembleia Nacional da França aprovou hoje a ampliação em dois anos da idade de aposentadoria na França, para 62, dando um primeiro passo para implementar o considerado projeto de destaque do mandato do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Paris, 15 set (EFE).- Apesar dos protestos dos sindicatos e da reticência dos opositores, a Assembleia Nacional da França aprovou hoje a ampliação em dois anos da idade de aposentadoria na França, para 62, dando um primeiro passo para implementar o considerado projeto de destaque do mandato do presidente francês, Nicolas Sarkozy. Apenas os deputados da maioria conservadora apoiaram o texto, que pretende acabar com a aposentadoria aos 60 anos introduzida em 1982 pelo então presidente da República, François Mitterrand, e defendida intensamente pelos sindicatos. O texto obteve 329 votos a favor desse bloco majoritário. Por outro lado, 233 deputados, da oposição de esquerda e os centristas tradicionalmente aliados do Governo, votaram contra. A maratona parlamentar se prolongou por toda a madrugada, com embates entre aqueles que queriam agilizar as discussões e os que usavam todas as armas políticas para travar a votação. A reforma deverá agora passar pelo Senado, onde pode ser emendada, embora ali o partido conservador do presidente Sarkozy também conte com maioria suficiente para levar adiante o corpo da reforma - o aumento da idade de aposentadoria. A proposta enfrenta grande contestação nas ruas, incitada pelos sindicatos que prometem uma mobilização cada vez maior para acabar com a reforma. Já até foram convocadas greves gerais em quatro ocasiões contra este projeto e, em cada uma delas, os organizadores dos protestos alegaram superar os números oficiais de manifestantes. A última greve geral, que ocorreu no último dia 7, reuniu, segundo as contas sindicalistas, 2,5 milhões de manifestantes, pouco mais de 1 milhão acima das contas do Governo. Apesar da grande mobilização, Sarkozy anunciou que não deve renunciar ao núcleo da reforma, mas permitiu alguma flexibilização no que se refere aos trabalhos mais árduos e às carreiras mais longas. Concessões julgadas insuficientes pelos sindicatos, que anunciaram a convocação de uma nova greve geral para o próximo dia 23 na qual esperam demonstrar que a oposição à reforma da previdência vai em aumento. É a única oportunidade que lhes resta de deter o plano de Sarkozy. Os sindicatos lembram que a mobilização popular já impediu no passado planos para ampliar a idade de aposentadoria. Em 1995, com Jacques Chirac no Palácio do Eliseu e Alain Juppé à frente do Governo; e em 2003 também com Chirac como presidente e Jean-Pierre Raffarin como primeiro-ministro. Mas Sarkozy já advertiu que não retrocederá diante da pressão nas ruas e se mostrou decidido a culminar uma reforma que considera necessária para tornar a previdência sustentável. A esperança de vida aumenta, diz Sarkozy, e é necessário trabalhar mais anos para não abalar o sistema de previdência, uma receita que, lembra o presidente, está sendo adotada por todos os países vizinhos da França, alguns inclusive com Governos socialistas. Se o líder francês venceu essa batalha na Assembleia Nacional, ele enfrenta, no entanto, uma tempestade política em várias frentes, que ameaça debilitá-lo a menos de dois anos das eleições presidenciais. Além das manifestações contra a reforma previdenciária, o Executivo de Paris ainda têm de enfrentar as críticas de dentro e de fora da França às deportações de ciganos, o que para muitos reflete a visão xenófoba do Governo. Sarkozy vai de encontro à ONU, ao Parlamento Europeu, à Comissão Europeia - que está prestes a abrir um procedimento de infração contra o líder -, a associações de defesa dos direitos humanos e à opinião pública de diversos países, inclusive a muitos da própria França. Em política interna, a aparição do chamado "caso Bettencourt", um assunto de tráfico de influência que envolve seu ministro do Trabalho, Éric Woerth, também está deteriorando a força política do Governo. Justamente Woerth é o encarregado de defender a reforma da previdência e, em cada debate, recebe acusações de "mentiroso" por parte da oposição. EFE lmpg/sa

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