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França: abastecimento de combustíveis melhora, mas protestos continuam

Segundo ministro do Interior, cerca de 70% dos postos de gasolina estão "total ou parcialmente abastecidos"

EFE |

Enquanto os depósitos de combustíveis na França aos poucos vão sendo desbloqueados, segundo o Governo, novos protestos contra a proposta de reforma da previdência causam distúrbios nas cidades e nas estradas.

O ministro do Interior, Brice Hortefeux - que, como outros membros do Executivo, discursou na rádio no início da manhã -, ressaltou que "73% ou 74%" dos postos de gasolina estão "total ou parcialmente abastecidos".

Em entrevista à emissora "Europe 1", Hortefeux admitiu que nos demais postos o combustível esgotou. No entanto, ele destacou que "temos várias semanas de reservas nos depósitos". "O problema, que é real, é garantir o abastecimento dos postos de gasolina", reconheceu o ministro.

Além disso, ele expressou uma mensagem de confiança àqueles que pretendem viajar por causa do início das férias escolares de outono a partir de sábado.

O ministro da Indústria, Christian Estrosi, pouco após o da Ecologia, Jean-Louis Borloo, afirmou que o desbloqueio dos depósitos de combustíveis está se materializando e que "não há mais que 14" dos cerca de 200 do país onde os caminhões-tanque continuam sem poder entrar pela ação dos grevistas.

Nesta madrugada, centenas de manifestantes com cartazes das duas confederações sindicais francesas - CGT e CFDT - bloquearam durante horas os acessos viários ao aeroporto de Marselha.

O ministro do Interior disse que aqueles que querem se deslocar em Marselha devem poder fazê-lo, lembrando que ontem a Polícia já havia intervindo em outros aeroportos onde as centrais sindicais tinham organizado ações similares.

Hortefeux indicou que ontem foram detidas 245 pessoas por participar de distúrbios, sobretudo jovens. Segundo ele, ao todo são 1.901 os detidos desde o último dia 12.

Em Toulouse, onde para hoje estava convocada uma nova manifestação, da mesma forma que em outras cidades, como Nantes e na própria Marselha, os ônibus não circulavam desde a primeira hora da manhã e as estradas de acesso estavam congestionadas.

A greve permanecia convocada no transporte ferroviário. Segundo um comunicado da Sociedade Nacional de Estradas de Ferro (SNCF, na sigla em francês), o número de trens em circulação é um pouco superior ao de ontem.

Estavam previstos para funcionar três quartos dos trens de alta velocidade (TGV), metade dos outros trens de longa distância, mais de 60% dos regionais e locais e praticamente todos das linhas internacionais Eurostar (para Londres) e Thalys (para Bélgica, Holanda e Alemanha).

Novamente foram suspensos os trens noturnos conectados à Espanha. Os sindicatos se reunirão nesta tarde para decidir se mantém as mobilizações. O líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT) antecipou que sua aposta é marcar "um novo ponto forte" nos protestos na semana que vem, apesar das férias escolares.

Enquanto isso, no Senado, continua a tramitação do projeto de lei que reforma a previdência francesa. O projeto inclui aumentar de 60 para 62 anos a idade mínima de aposentadoria e de 65 para 67 anos a idade para aposentadoria integral. O trâmite no Parlamento deve terminar com um voto sobre a totalidade do texto hoje à noite ou, mais provavelmente, amanhã.

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